RACIONAMENTO
Moreno
passa até 15 dias sem águaA falta d'água no
município de Moreno está
causando transtornos aos
moradores. Em alguns bairros,
como o da Cohab, não chega água
há aproximadamente 15 dias.
Abastecida pelo Rio Jaboatão, a
cidade nunca teve problemas com o
fornecimento do produto, mas, com
a escassez de chuvas, o rio
secou, dificultando a vida dos 44
mil moradores.
O esquema
montado pela Compesa foi
intercalar quatro dias sem água
e um com, mas isso nem sempre
está sendo possível. Como
alguns bairros são localizados
em áreas mais altas do que
outros, a água não chega
igualmente para todos. A saída
são os carros-pipa. De acordo
com o gerente comercial da
Compesa de Moreno, Péricles
Santos, dois caminhões passam o
dia percorrendo esses bairros.
"Alguns moradores vieram
reclamar que não queriam água
de carros-pipa, e sim nas
torneiras. É difícil, mas todos
têm que entender a situação e
colaborar. Somente com chuva é
que a falta d'água será
resolvida", lamentou Santos.
Na casa da
estudante Márcia Farias, 20
anos, moram três adultos e duas
crianças. Sua rotina atualmente
é carregar baldes d'água de uma
cacimba próxima da residência.
O problema é que a cacimba fica
ao lado de um esgoto e a água é
suja. "Venho aqui pelo menos
umas dez vezes por dia. O pior é
que essa água só serve para
usar no banheiro. Para lavar os
pratos, cozinhar e beber, temos
que comprar água limpa",
contou Márcia. Na residência da
dona de casa Maria da Conceição
Silva não vai haver ceia de
Natal. "Como vou cozinhar
sem água?", questionou.
Mesmo assim,
tem gente que está lucrando com
a falta d'água. É o caso do
vendedor Sérgio Oliveira. Há um
mês, ele mantinha só uma
barraca de frutas e verduras na
feira. Agora, além disso, está
vendendo bacias e baldes no
centro da cidade. "O
movimento está bom, pois as
pessoas estão acumulando mais
água. Estou ganhando mais
dinheiro vendendo baldes do que
frutas, mas preferia que chovesse
para acabar com esse
aperreio", confessou
Sérgio.
A dona de casa
Maria José dos Santos tem uma
cacimba no quintal de casa e puxa
a água com uma bomba elétrica.
Sem problemas com o
abastecimento, ela viu a
aflição dos vizinhos e resolveu
ajudar, vendendo cada balde
d'água por R$ 0,10. O que não
falta é gente querendo comprar
água. "Às vezes, às 11h
da noite, têm pessoas aqui no
portão. Alguns vêm de Kombi
para trazer mais baldes. Só
cobro para poder pagar a conta de
energia", justificou.