- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998

RACIONAMENTO
Moreno passa até 15 dias sem água

A falta d'água no município de Moreno está causando transtornos aos moradores. Em alguns bairros, como o da Cohab, não chega água há aproximadamente 15 dias. Abastecida pelo Rio Jaboatão, a cidade nunca teve problemas com o fornecimento do produto, mas, com a escassez de chuvas, o rio secou, dificultando a vida dos 44 mil moradores.

O esquema montado pela Compesa foi intercalar quatro dias sem água e um com, mas isso nem sempre está sendo possível. Como alguns bairros são localizados em áreas mais altas do que outros, a água não chega igualmente para todos. A saída são os carros-pipa. De acordo com o gerente comercial da Compesa de Moreno, Péricles Santos, dois caminhões passam o dia percorrendo esses bairros. "Alguns moradores vieram reclamar que não queriam água de carros-pipa, e sim nas torneiras. É difícil, mas todos têm que entender a situação e colaborar. Somente com chuva é que a falta d'água será resolvida", lamentou Santos.

Na casa da estudante Márcia Farias, 20 anos, moram três adultos e duas crianças. Sua rotina atualmente é carregar baldes d'água de uma cacimba próxima da residência. O problema é que a cacimba fica ao lado de um esgoto e a água é suja. "Venho aqui pelo menos umas dez vezes por dia. O pior é que essa água só serve para usar no banheiro. Para lavar os pratos, cozinhar e beber, temos que comprar água limpa", contou Márcia. Na residência da dona de casa Maria da Conceição Silva não vai haver ceia de Natal. "Como vou cozinhar sem água?", questionou.

Mesmo assim, tem gente que está lucrando com a falta d'água. É o caso do vendedor Sérgio Oliveira. Há um mês, ele mantinha só uma barraca de frutas e verduras na feira. Agora, além disso, está vendendo bacias e baldes no centro da cidade. "O movimento está bom, pois as pessoas estão acumulando mais água. Estou ganhando mais dinheiro vendendo baldes do que frutas, mas preferia que chovesse para acabar com esse aperreio", confessou Sérgio.

A dona de casa Maria José dos Santos tem uma cacimba no quintal de casa e puxa a água com uma bomba elétrica. Sem problemas com o abastecimento, ela viu a aflição dos vizinhos e resolveu ajudar, vendendo cada balde d'água por R$ 0,10. O que não falta é gente querendo comprar água. "Às vezes, às 11h da noite, têm pessoas aqui no portão. Alguns vêm de Kombi para trazer mais baldes. Só cobro para poder pagar a conta de energia", justificou.


     

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