CONTAS PÚBLICAS
FGTS
gera recursos extras para Jarbaspor JAMILDO MELO
Subeditor de Economia
O governador
eleito Jarbas Vasconcelos vai
contar, no início de sua
gestão, com recursos extras para
ajudar no pagamento dos débitos
com os servidores e fornecedores.
O volume de recursos - estimado
em relatório da Secretaria da
Fazenda em R$ 200 milhões - pode
vir de créditos do Estado junto
ao Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço (FGTS).
Os primeiros
recursos destas contas estão
sendo transferidos da Caixa
Econômica Federal, que
administra o FGTS, para a conta
única do Estado, depois que a
Delegacia Regional do Trabalho
(DRT) homologou, ontem, a
primeira parte dos requerimentos
encaminhados pela equipe do
governador Arraes, em novembro.
A delegada
regional do Ministério do
Trabalho, Maria Inês Diniz de
Medeiros, observa, no entanto,
ser muito difícil estimar o
valor exato do crédito a
receber. "Isso só poderá
ser feito pela Caixa depois que
cada processo for analisado, caso
a caso, pela DRT. É preciso
verificar se cada servidor de
fato era não-optante ou se há
ações trabalhistas
pendentes", diz a delegada.
Além disso, após o
levantamento, os recursos devem
ser usados para abater dívidas
do Estado com a Caixa Econômica,
relativas a débitos com o FGTS,
gerados por contribuições não
realizadas em gestões anteriores
no Governo do Estado de
Pernambuco.
O secretário
de Administração, Massilon
Gomes, acredita que o volume dos
recursos do FGTS pode até mesmo
superar os R$ 200 milhões porque
a estimativa organizada pelo
governo foi realizada com base em
desligamentos ocorridos nos
primeiros onze meses de 1988, em
um total de 31.010 mil processos.
Existem, no entanto, créditos
não levantados nos anos
anteriores a 1988. A pesquisa foi
concentrada só nos primeiros
onze meses de 1988 porque só a
partir daquele ano as contas do
FGTS passaram a ser
individualizadas, facilitando a
identificação, com as contas
vinculadas do FGTS. Até 1988, os
estados recolhiam em bloco as
contribuições junto ao FGTS. A
pesquisa dos anos anteriores
está em curso e beneficiará o
governo que assume.
Os créditos em
questão são referentes a
depósitos realizados até 1988,
na conta de servidores celetistas
não-optantes do FGTS e que foram
liberados para devolução aos
Estados, com a Constituição de
1988, em função da criação do
regime jurídico único, naquele
ano. Até então, os Estados eram
obrigados a recolher o FGTS,
inclusive dos servidores que não
haviam aderido ao fundo. Com a
promulgação da Constituição,
o Estado deixou de recolher estes
recursos e ainda ganhou o direito
de reavê-los.
O secretário
de Administração, Massilon
Gomes, conta que os primeiros
pedidos de habilitação de
créditos começaram a chegar à
DRT no início de novembro,
dentro de um esforço conjunto
para ampliar as receitas do
Estado. O levantamento começou
no mês de setembro e o trabalho
de habilitação dos créditos
foi concluído na semana passada.
O governo
chegou a fazer uma varredura em
53 juntas de conciliação e
julgamento do Estado, em busca da
emissão do Termo de Rescisão de
Contrato de Trabalho (TRCT). Com
o documento, o governo comprova
que não existem pendências
trabalhistas contra o Estado, a
exemplo do não pagamento de
verbas rescisórias aos
funcionários já desligados pelo
Estado. Sem este documento, a DRT
não aceita a habilitação dos
créditos.
ALERTA -
Desde o final de novembro, o
secretário da Fazenda, José
Lapenda, alertava, em relatório
apresentado aos deputados
estaduais, que os recursos não
haviam sido recuperados, até
aquela data, por exigências
feitas da CEF e DRT. O processo
de avalição começou em agosto,
quando o Estado passou a buscar
receitas extraórdinárias para
dar suporte às contas estaduais
em crise.