CONTAS PÚBLICAS II
DRT
já libera os primeiros processospor PEDRO IVO
BERNARDES
A primeira
parcela dos recursos do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço
dos servidores estaduais não
optantes começou a ser liberada
ontem. Ao todo, o Estado tem a
receber no próximo mês R$ 11,6
milhões, referentes ao FGTS
recolhido, em nome dos
funcionários públicos, durante
os 11 meses anteriores a
promulgação da Constituição.
Das 31 mil recisões de contratos
dos servidores não optantes,
cerca de 3 mil já foram
avaliadas pela Delegacia Regional
do Trabalho (DRT) e encaminhadas
à Caixa Econômica Federal, para
levantamento dos recursos
disponíveis para posterior
transferência para a conta
única do Estado.
De acordo com o
secretário de Administração de
Pernambuco, Massilon Gomes, este
é o início de um trabalho que
deve ter uma duração de cinco
meses, sendo continuado pelo
próximo secretário, Maurício
Romão. A nova etapa dos
trabalhos consiste em levantar os
recursos existentes entre 1978 e
1988, nos dez anos anteriores a
promulgação da Constituição.
A dificuldade para a execução
do levantamento destes dados é a
não individualização dos
depósitos. Antes de 88, os
recursos eram depositados numa
conta em separado, sendo difícil
identificar quanto está
depositado em nome de cada
servidor.
Essa é uma das
exigências apresentadas pela
Delegacia Regional do Trabalho e
pela Caixa Econômica para poder
liberar os recursos. De uma
maneira geral, antes de serem
transferidos, os recursos das
conta passam por uma
identificação, para que possa
ser feito um levantamento do
total disponível, excluindo-se
as receitas ligadas aos optantes
ou que estejam com ações
trabalhistas contra o Estado.
PROCESSO -
Segundo a delegada regional do
Trabalho, Maria Inês Avelar, o
processo está baseado no código
26 da Legislação do FGTS, que
prevê o reembolso ao empregador
no caso de contribuições em
nome de funcionários que não
aderiram ao fundo. Apesar disto,
as contas não podem ser
liberadas antes de avaliada as
pendências para assegurar o
pagamento dos servidores que
venham a conseguir pareceres
favoráveis da Justiça.
De acordo com a
delegada, o procedimento é comum
no Ministério do Trabalho. Em
geral, prefeituras, autarquias e
empresas privadas fazem pedidos
semelhantes ao do Estado de
Pernambuco. A dificuldade para
encaminhar o processo do Estado
deve-se sobretudo à quantidade
de processos, já que a DRT nunca
trabalhou com um volume tão
elevado de processos. "Para
prosseguirmos, fomos obrigados a
pedir esclarecimentos ao
Ministério, em Brasília",
explica Avelar.
Outra problema
enfrentado para a agilização
dos processos foi a época do ano
em que o processo foi
encaminhado. De acordo com Inês
Avelar, em fim de ano a DRT tem
uma demanda muito alta por
fiscalização, dificultando os
levantamentos, já que este é o
departamento responsável pela
avaliação dos processos.
"Nesta época de fim de ano
temos muitas reclamações quanto
a infrações trabalhistas
referentes a registros de
trabalhadores, jornada de
trabalho ampliadas e pagamento de
salários. Por isso, não podemos
dar carga total à
avaliação", afirma.