- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998

TELEFONIA
Banco paulista vende telefones no Recife

por JOSUÉ NOGUEIRA

Cerca de três mil linhas telefônicas oriundas da expansão feita pela Telpe em 1996, estão sendo comercializadas pelo banco Interamerican Express. De acordo com fontes do setor de telefonia, a instituição provavelmente comprou a carteira de crédito de um segundo banco, uma vez que não está na lista original dos agentes financeiros que, na época, concederam empréstimo a usuários interessados em adquirir as linhas.

Ainda conforme análises do mercado, as linhas postas à venda seriam de clientes que receberam financiamento, mas não quitaram seus débitos. A transação é corriqueira entre os bancos. O Bandepe, por exemplo, que foi um dos principais financiadores, vendeu sua carteira ao Sulamerica e ao ESRL.

A comercialização está acontecendo no Banco Martinelli, em Boa Viagem - o Interamerican Express, que tem sede em São Paulo, não possui agência no Recife. As vendas, que vêm acontecendo há mais de um mês, são feitas através de cinco corretores destacados pelo banco. As linhas custam entre R$ 500,00 e R$ 1.150,00, variando de acordo com o bairro ou cidade a que se destinam.

De acordo com um dos corretores, há possibilidade de financiamento pelo banco Giro Bank, também de São Paulo. "Dividimos até em 11 vezes. Exigimos Identidade, CPF e comprovante de residência". Há informações de que estão sendo vendidas de 50 a 100 linhas diariamente.

Os corretores garantem que a linha é instalada em no máximo 15 dias. Já a assessoria de imprensa da Telpe informa que a operação é legal, uma vez que o banco é o proprietário das linhas, mas avisa que a instalação só acontecerá quando a empresa tiver condições técnicas de fazê-la. A situação, portanto, não permite estabelecimento de prazos.

A consultora de marketing Tereza Prestelo, que adquiriu uma linha para Olinda por R$ 600,00, diz que a Telpe, como prestadora do serviço, deveria dar alguma segurança à negociação. Ela conta que no ato da compra assinou o termo de transferência da linha (com papel timbrado da Telpe), mas não recebeu nenhuma via. "Deram-me apenas um canhoto com um número. É um negócio de risco. Só vou ficar sossegada quando a linha for instalada".

Segundo informações obtidas com funcionários responsáveis pela comercialização das linhas, detalhes da transação não poderão ser disponibilizados antes do dia 11 do próximo mês, quando o representante do Interamerican Express retorna ao Recife.


     

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