PRIVATIZAÇÃO
Edital
da CTU não revela dívida de R$
3,2 milhõesO edital de
privatização da Companhia de
Transportes Urbanos (CTU) omitiu
uma dívida da empresa estimada
em R$ 3,2 milhões, composta por
34 ações judiciais, incluindo
16 processos trabalhistas. Antes
disso, a Prefeitura da Cidade do
Recife (PCR) já havia divulgado
uma dívida da estatal estimada
em R$ 30 milhões, que é formada
pelos débitos tributários e um
empréstimo que a instituição
fez junto ao então Banerj.
Ontem, a
prefeitura divulgou a estimativa
da dívida das ações judiciais
da empresa através de um
comunicado relevante, que foi
veiculado em um jornal de
circulação nacional. O
comunicado funciona como uma
extensão do edital, publicado em
novembro.
A Comissão de
Valores Mobiliários do Rio de
Janeiro exigiu que fosse
publicada a estimativa das
dívidas judiciais da companhia
por considerar que essa
informação é importante para
as empresas interessadas em
participar do leilão da estatal,
no dia 11 de janeiro.
As
informações sobre a dívida
composta por ações judiciais da
CTU constam do kit de
privatização da empresa,
segundo informações da
Secretaria de Serviços
Públicos. O kit, comercializado
pela PCR, já foi comprado por
doze empresas interessadas em
participar do leilão. Ele custa
R$ 350,00 e traz informações
sobre a situação financeira da
companhia, incluindo os últimos
balancetes.
A secretaria
adjunta de Serviços Públicos,
Glória de Gusmão, acredita que
essa dívida não irá atrapalhar
o processo de privatização. A
dívida de R$ 3,2 milhões é
composta por 16 causas
trabalhistas no valor de R$ 854
mil. Já a parte de ações na
área cível somam uma débito de
R$ 2,4 milhões, formado por 18
processos.
O processo de
venda da CTU já se encontra na
reta final, com o início da
pré-identificação e
pré-qualificação das empresas
que está sendo feita pela
Câmara de Liquidação e
Custódia (CCL) da Bolsa de
Valores do Rio de Janeiro. As
empresas interessadas em
participar do leilão devem
encaminhar a documentação até
o próximo dia 5.
A CCL irá
analisar as informações das
empresas e depois enviar os seus
pareceres para serem homologados
pela PCR. O preço mínimo do
leilão é de R$ 600 mil, embora
o valor patrimonial da empresa
seja de R$ 24 milhões. O preço
é baixo porque o novo acionista
terá que pagar uma dívida de
cerca de R$ 33 milhões.
Além dessa
dívida, "o comprador"
da CTU também terá que pagar as
indenizações trabalhistas do
pessoal que deverá ser
dispensado. O edital de
privatização estabelece que a
empresa concessionária terá que
manter 50% dos seus atuais 1,4
mil empregados por 12 meses.
"Se não conseguirmos
privatizar a CTU é porque os
salários dos funcionários da
estatal são altos em relação
ao mercado e as indenizações
irão ficar onerosas",
afirmou ontem o prefeito do
Recife, Roberto Magalhães.