- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998

NATAL
Nordestinos estão consumindo mais peru e chester no Natal

por MARCONY ALMEIDA
Especial para o JC

Hoje é dia de arrumar a casa e reunir a família para a ceia de Natal. Os pratos são os mais diversos, mas o que não pode faltar à mesa são os tradicionais peru e chester. Considerados por muita gente como tradição do Sul e Sudeste, as aves estão tomando conta da mesa do nordestino. A Perdigão prevê um crescimento nas vendas de chester em torno de 20% no Nordeste, em relação a 97, enquanto a média nacional deve alcançar os 10%. Desde o início do Plano Real que o consumo de peru no Nordeste ultrapassou o do Sudeste, e a região já responde por 18% das vendas da Sadia no Natal.

A Perdigão calcula que devem ser vendidas 5,2 milhões de aves em todo o País, em dezembro, sendo 1,7 milhão no Nordeste. Isso incide num aumento de consumo em torno de 5%, sobre o mesmo período de 97. A procura do nordestino pelo chester vem aumentando há cerca de três anos, segundo o gerente regional da empresa, Antônio Machado. Para ele, o Nordeste é um mercado que vem crescendo e mudando o conceito de que ceia com chester e peru só acontece no Sul. "Com essa nova demanda, estamos planejando investir na produção para outras comemorações como a Páscoa e Dia das Mães", anuncia.

A produção de peru da Sadia cresceu 5% esse ano e a empresa calcula um aumento de 10% nas vendas sobre 97. Para o diretor comercial da Sadia, Roberto Banfi, os principais responsáveis por esse aumento são os consumidores nordestinos. "Embora considerado tradicional no Sul, o consumo do Peru vem se unificando em todas as regiões do País. Mas, o que vem nos surpreendendo são as vendas no Nordeste", analisa Banfi. Para ele, o Plano Real proporcionou o crescimento.

De acordo com a dona de casa Cleide Medeiros Ferreira, a ave é indispensável em sua ceia por ser uma tradição de 50 anos. Ela criava as aves em sua casa, no Amazonas, à espera das festas natalinas. "Há uma superstição de que não se podia comer peru no ano novo, pois como a ave cisca, podemos iniciar o ano com o pé atrás", conta. O comerciante Paulo Ricardo Jambre também aposta na tradição e já comprou 15 aves para seu restaurante. "E ainda não é o suficiente".


     

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