DECISÃO III
Torcida
explode de emoção e alegriaAssim que o árbitro
gaúcho Carlos Eugênio Simon
apitou o fim do jogo contra o
Cruzeiro, cada corintiano
campeão apegou-se a suas
raízes, crenças e paixões. O
técnico Wanderley Luxemburgo,
suspenso pela CBF, não
participou da festa corintiana no
gramado.
O capitão
Gamarra ergueu a taça agarrado a
uma pequena bandeira do Paraguai,
seu país. A torcida, comovida,
pediu ao zagueiro: "Fica,
Gamarra!". Ele pode deixar o
Corinthians após a conquista.
Alguns
torcedores invadiram o campo e
cercaram o centroavante Dinei,
ex-integrante de torcida
organizada Gaviões da Fiel e
revelado nas categorias de base
do Corinthians. Dinei nem
conseguia falar. Chorava
copiosamente, emocionado por ser
o único jogador da história do
clube a ser bicampeão
brasileiro. Ele teve a camisa
arrancada e substituída pelo
uniforme preto da facção a que
pertenceu, contrariando a
decisão judicial que proíbe a
entrada de camisas de torcidas
organizadas.
O evangélico
Marcelinho Carioca, a exemplo de
outras conquistas, exaltou Jesus
e exibiu uma faixa para o
público. Correu imediatamente
para abraçar o goleiro Nei, fiel
amigo de horas difíceis.
Eufórico, ia de um lado para o
outro, abriu uma faixa grande com
a frase "Jesus é a
verdadeira vitória". Subiu
na trave de um dos gols.
Aos berros,
sempre procurando a atenção das
câmeras de tevê, Marcelinho
dava gritos indecifráveis.
Enquanto os jogadores se
abraçavam e comemoravam juntos a
conquista, o camisa 7 dava a
volta olímpica sozinho.
Mais comedido,
o atacante Edílson, autor do
primeiro gol, falava com
serenidade sobre a conquista do
seu terceiro título brasileiro.
"Este é um belo presente de
Natal para a torcida
corintiana", analisou
Edílson. "Fomos a melhor
equipe do campeonato."