COMPORTAMENTO
III
Amigo
oculto pode ser entidade
espiritualA doutrina espírita
também apresenta sua
explicação para as amizades
surgidas entre as crianças e
seus colegas invisivéis. De
acordo com o espiritismo, até os
8 anos de idade meninos e meninas
têm facilidade de entrar em
contato com os espíritos
desencarnados por não estarem
com suas atuais encarnações
concretizadas. "Todos nós
somos médiuns, mas até essa
faixa de idade a mediunidade é
muito latente. É como se as
crianças estivessem mais no
mundo espiritual do que
aqui", explica o espírita
Silvio Romero, estudioso da
doutrina codificada por Allan
Kardec. Ele é psicólogo e
trabalha a linha intrapessoal.
Segundo Romero,
os amigos ocultos, quando
tratam-se de entidades
espirituais e não de um
personagem criado pela
imaginação da criança, são
espirítos protetores. "Elas
podem ver esses espíritos mesmo
que não os tenham conhecido
nessa vida", diz. Ele conta
ter atendido, em seu
consultório, uma garota que
brincava com um menino
desencarnado chamado Saulo. Ele
aparecia para ela sempre que seu
pai chegava em casa bêbado.
"No início achei que ela
criou Saulo para extravasar a
tristeza que sentia quando via
seu pai embriagado. Porém, com a
ajuda da sua mãe, que costumava
fazer perguntas sobre o garoto,
descobrimos que se tratava de um
primo de segundo grau. Ele
desencarnou quando o pai da
garota estava na puberdade",
diz.
Durante as
sessões com sua paciente, Romero
constatou que Saulo morreu num
acidente de carro provocado por
seu pai, que dirigia alcoolizado.
"Quando o pai da menina
bebia, o garoto aparecia para ela
e explicava, através de
comparações, o estado de
espírito do pai dela. Ele dizia
que o pai era um cavalo preso por
uma cerca. No caso, a cerca era a
bebida. Saulo pedia para ela ser
compreensiva com o pai e amá-lo
muito, pois só isso o faria
deixar de beber. Ele
deixou".
O psicólogo
destaca que é preciso muito
cuidado dos profissionais para
separar o que é fantasia nessas
relações de amizade. "No
meu caso, primeiro observo se a
criança não está projetando
algo que falta em sua vida, como
um irmão, por exemplo. Isso é
preciso para não criar uma
fantasia em cima de outra
fantasia", afirma.
"Acontece muito dos filhos
fantasiarem amizades e histórias
para chamar a atenção dos
pais".
Assim como a
psicóloga Guiomar Carvalho, ele
aconselha os pais a não
reprimirem essa vivência da
criança com violência.
"Por outro lado, não devem
incentivar essas amizades porque,
se forem fantasias, podem se
tornar uma patologia",
adverte. (F.T.)