HARDWARE
30
anos de uma revolução. É a
idade do ratopor JOAQUIM PRADO e
FABÍOLA BLAH
Mouse, maus,
ratón, souris, rato: nas três
décadas de sua existência, que
se comemora este ano, o popular
aparelhinho se tornou
indispensável para usuários de
computadores pessoais em quase
todos os recantos do mundo. Sua
invenção foi um divisor de
águas na história do
computador.
Antes do mouse,
computadores eram máquinas muito
complicadas, de uso restrito a
cientistas e pesquisadores
treinados. Fora da ficção
científica, era difícil
imaginar que aqueles aparelhos
tão complexos poderiam ser
usados um dia até por crianças
em processo de alfabetização.
A primeira
pessoa a propor idéias para um
computador fácil de usar, que
mostrasse sua informações e
recebesse comandos através de
múltiplas janelas na tela e
gráficos, foi Douglas Engelbart,
engenheiro elétrico americano e
pai do mouse. Em 1963, ele já
experimentava com o desenho de um
dispositivo para agilizar a
edição de textos em computador,
capaz de mover rapidamente o
cursor em duas dimensões. Foi o
próprio Engelbart quem, anos
depois, apelidou sua invenção,
uma caixa de madeira com duas
rodas metálicas embaixo.
Chamou-a de mouse (rato): o fio
que sai pela traseira do aparelho
lhe lembrava uma cauda.
Em dezembro de
1968, Engelbart apresentou sua
criação ao público em uma
histórica conferência em São
Francisco, Califórnia, durante o
Joint Computer Conference. Lá,
ele introduziu conceitos
experimentais que acabariam
mudando o rumo da evolução dos
computadores: videoconferência
com computador e vídeo,
groupware, hipermídia e
hipertexto, e as idéias básicas
do que viriaa ser a Internet
(veja quadro).
Durante 90
minutos, Engelbart usou o mouse
para clicar na tela do
computador, ampliada em um grande
telão e, diante de uma platéia
perplexa, se comunicar
remotamente com seus assistentes
no instituto de pesquisa da
Universidade de Stanford, em Palo
Alto, também na Califórnia. Era
a primeira videoconferência com
computadores operando em rede do
mundo, uma apresentação
multimídia, através de imagem,
texto e som. O show de Engelbart
marcou, oficialmente, o
nascimento do mouse.
Douglas
Engelbart só tirou patente do
acessório em 1970. Descreveu
então o mecanismo como um
"indicador da posição X-Y
para um sistema de tela".
Mas as idéias revolucionárias
do engenheiro só alcançariam
sucesso comercial em 1984, quando
a Apple lançou o primeiro
computador pessoal, o bem
sucedido Macintosh. O Mac, como
é conhecido ainda hoje pelas
suas legiões de adoradores no
mundo todo, introduziu uma
revolucionária interface
gráfica, baseada nas idéias de
Engelbart, em que o usuário usa
o mouse para mover um cursor pela
tela e selecionar ou mover
objetos que correspondem a
programas e comandos.
O engenheiro
também contribuiu com o seu
gênio para outros projetos de
longo fôlego e sucesso. Em
novembro de 1969, quando
pesquisadores da Universidade da
Califórnia, em Los Angeles,
enviaram os primeiros dado pela
ARPAnet, a precursora da
Internet, o receptor foi
Engelbart, em seu laboratório em
Stanford.
Noventa
milhões de mouses depois,
Engelbart continua apresentando
palestras e trabalhando em
projetos sobre como melhorar a
interação e aumentar a
produtividade de usuários e
computadores. A instituição de
pesquisa que criou, o Bootstrap
Institute, ocupa um pequeno
escritório e alguns cubículos
na sede da Logitech, em Fremont,
Califórnia. O inventor não paga
aluguel, o que é apenas justo:
sua invenção permitiu à
companhia tornar-se a maior
fabricante de mouses do mundo.