- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 23 de dezembro de 1998

HARDWARE V
Quando o mouse não é a melhor opção

Apesar de sua presença ao lado de quase todos os computadores pessoais no mundo, o mouse não é a melhor opção para muitos usuários com necessidades especiais.

Pessoas que não enxergam, por exemplo, não podem usar o acessório. "Qual é o objetivo do Windows? É ver a tela, mover o mouse, e com ele acionar os ícones na tela. O Windows é uma interface que não foi projetada para o deficiente visual", disse Geraldo Feitosa, coordenador da divisão de ajuda às pessoas com deficiência do Fisepe. "No caso das pessoas que não enxergam, elas têm que varrer a tela, icone a icone, para saber o que está lá."

Para ajudar nesta tarefa há programas que "lêm" a tela para o usuário através de alto-falantes, como o Virtual Vision, da companhia paulista Micro Power. "A fonética dele é excelente: ele fala português brasileiro, com sotaque nordestino e tudo", disse Feitosa.

Fora do ambiente Windows, deficientes visuais usam o DOS Vox, versão falada do sistema operacional DOS. Nele se encontram muitas das ferramentas que permitem ao deficiente operar com desenvoltura, como processamento de texto e impressão em braile, por exemplo. Além de programas como este, deficientes visuais também fazem uso extensivo de combinações de teclas de funções do teclado (ver matéria nesta página), que podem, na maioria dos casos, substituir o mouse.

Para Roberto Aguiar, deficiente visual e cientista político da UFPE, o desenvolvimento destas ferramentas lhe deu mais independência e desenvoltura no trabalho. Hoje ele escreve artigos sem a necessidade de pessoas que leiam o texto de volta para ele, pois o micro já faz isso. Seu computador lhe lê desde artigos de jornal e revista na Internet, até livros e publicações especializadas escaneadas: "É uma voz sintética, claro, mas perfeitamente audível".

Deficientes visuais não são os únicos que não usam o mouse. Com seu mecanismo delicado, o apontador não é considerado confiável em indústrias que trabalham com substâncias que possam interferir na sua operação. Na fábrica da Fleischmann-Royal, onde a farinha de trigo e milho enche o ar de partículas, as embaladoras são operadas por telas touch-screen, em que o operador dá comandos ao computador tocando diretamente na tela.

"Em nível de indústria que trabalha com pó em suspensão, a tela touch-screen é ideal porque é fechada", diz Antônio Marupyana, supervisor de manutenção. "Mas nos escritórios, nos PCs, nós usamos é o velho e bom mouse mesmo."


 

 

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