HARDWARE V
Quando
o mouse não é a melhor opçãoApesar de sua presença
ao lado de quase todos os
computadores pessoais no mundo, o
mouse não é a melhor opção
para muitos usuários com
necessidades especiais.
Pessoas que
não enxergam, por exemplo, não
podem usar o acessório.
"Qual é o objetivo do
Windows? É ver a tela, mover o
mouse, e com ele acionar os
ícones na tela. O Windows é uma
interface que não foi projetada
para o deficiente visual",
disse Geraldo Feitosa,
coordenador da divisão de ajuda
às pessoas com deficiência do
Fisepe. "No caso das pessoas
que não enxergam, elas têm que
varrer a tela, icone a icone,
para saber o que está lá."
Para ajudar
nesta tarefa há programas que
"lêm" a tela para o
usuário através de
alto-falantes, como o Virtual
Vision, da companhia paulista
Micro Power. "A fonética
dele é excelente: ele fala
português brasileiro, com
sotaque nordestino e tudo",
disse Feitosa.
Fora do
ambiente Windows, deficientes
visuais usam o DOS Vox, versão
falada do sistema operacional
DOS. Nele se encontram muitas das
ferramentas que permitem ao
deficiente operar com
desenvoltura, como processamento
de texto e impressão em braile,
por exemplo. Além de programas
como este, deficientes visuais
também fazem uso extensivo de
combinações de teclas de
funções do teclado (ver
matéria nesta página), que
podem, na maioria dos casos,
substituir o mouse.
Para Roberto
Aguiar, deficiente visual e
cientista político da UFPE, o
desenvolvimento destas
ferramentas lhe deu mais
independência e desenvoltura no
trabalho. Hoje ele escreve
artigos sem a necessidade de
pessoas que leiam o texto de
volta para ele, pois o micro já
faz isso. Seu computador lhe lê
desde artigos de jornal e revista
na Internet, até livros e
publicações especializadas
escaneadas: "É uma voz
sintética, claro, mas
perfeitamente audível".
Deficientes
visuais não são os únicos que
não usam o mouse. Com seu
mecanismo delicado, o apontador
não é considerado confiável em
indústrias que trabalham com
substâncias que possam
interferir na sua operação. Na
fábrica da Fleischmann-Royal,
onde a farinha de trigo e milho
enche o ar de partículas, as
embaladoras são operadas por
telas touch-screen, em que o
operador dá comandos ao
computador tocando diretamente na
tela.
"Em nível
de indústria que trabalha com
pó em suspensão, a tela
touch-screen é ideal porque é
fechada", diz Antônio
Marupyana, supervisor de
manutenção. "Mas nos
escritórios, nos PCs, nós
usamos é o velho e bom mouse
mesmo."