- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998

CHUVA DE KATYUSHAS
Ataque do Hezbollah contra Israel deixa 16 pessoas feridas

KIRYAT SHMONA, Israel - O grupo guerrilheiro libanês Hezbollah feriu ontem 16 civis israelenses num ataque com 60 foguetes Katyusha contra a cidade de Kiryat Shmona, no norte de Israel, um dia depois que um bombardeio aéreo lançado pelo Estado judeu matou uma mulher e seis de seus sete filhos no Líbano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manteve uma reunião de emergência com assessores de segurança, visitou a área atingida pelos Katyushas e prometeu revidar.

No momento do ataque - o mais pesado do Hezbollah contra Kiryat Shmona em quase três anos -, a maioria da população da cidade já estava em abrigos antiaéreos. Um dos foguetes atingiu um banco, outro derrubou uma árvore e um terceiro abriu um buraco num prédio de apartamentos.

"Diferentemente do acidente que ocorreu conosco terça-feira, em conseqüência do qual, por engano, civis foram mortos tragicamente, no caso do Hezbollah houve uma intenção maligna de matar civis", acrescentou. "Não podemos ignorar isso e responderemos no momento oportuno".

"O ministro israelense da Segurança Interna, Avigdor Kahalani, propôs que Israel "bombardeie as centrais elétricas que abastecem Beirute".

Em 1996, depois de sucessivos lançamentos de Katyushas contra o norte de Israel, o Estado judeu, que ocupa o sul do Líbano, bombardeou o país por 17 dias, matando cerca de 200 pessoas, até que os EUA mediassem uma trégua - na qual as duas partes se comprometeram a não atacar civis.

Entretanto, na terça-feira, durante um ataque contra supostas posições do Hezbollah no leste do Líbano, aviões israelenses bombardearam o prédio de Nada Othman, que morreu ao lado de seis filhos - com idades entre 3 e 16 anos. O enterro das vítimas na cidade de Baalbek foi acompanhado ontem por milhares de pessoas, aos gritos de "morte a Israel".

O governo israelense pediu desculpas, mas o Hezbollah rejeitou a alegação de que as mortes tenham sido acidentais. "Os israelenses deliberadamente alvejaram uma casa civil numa área residencial para aterrorizar o povo e enfraquecer a resistência", afirmou um dirigente do Hezbollah, o xeque Mohammed Feneish. "Não podemos ver a máquina de guerra atacar nossos civis sem retaliar. Pelo bem de nosso povo, lançamos foguetes para que respeitem o compromisso (de 1996).


 
 

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