SADDAM
REAGE
Iraque
não quer receber mais ajuda
humanitáriaBAGDÁ - O Iraque
reafirmou ontem que não quer
receber mais ajuda humanitária e
solicitou aos doadores que façam
campanha a favor da suspensão do
embargo imposto pela ONU desde
1990. "Pedimos desculpas por
não podermos mais receber ajuda
humanitária e solicitamos aos
que nos ajudam que façam
campanha pela suspensão do
embargo", declarou o
subsecretário de Relações
Exteriores iraquiano, Nuri Ismail
Al Wais.
"Pedimos
àqueles que são solidários com
o Iraque que tentem de todas as
formas pressionar o Conselho de
Segurança - da ONU - com a
finalidade de suspender o
embargo", disse o
responsável.
O governo
iraquiano decidiu, em junho
passado, não aceitar mais ajudas
(alimentos e fundos), mas, depois
de terminarem os ataques
anglo-americanos no último
sábado, alguns países como os
dos Emirados Árabes Unidos
começaram uma campanha de coleta
de fundos para ajudar o Iraque.
O Iraque
também proibiu ontem vôos civis
da ONU sobre seu território,
denunciou novas violações de
seu espaço aéreo e começou a
reconstruir os edifícios
destruídos na semana passada por
quatro dias de bombardeios
anglo-americanos.
As autoridades
iraquianas não autorizaram o
pouso do avião que levaria para
o Bahrein o representante
especial da Secretaria-Geral da
ONU em Bagdá, o indiano Prakash
Shah - que está tirando dez dias
de folga. Com isso, ele e o
coordenador humanitário da
organização no Iraque, o
alemão Hans von Sponeck, tiveram
de ir por terra para Amã.
O Iraque
garantiu que a proibição de
vôos é temporária e visa a
garantir a segurança do próprio
pessoal da ONU em meio às
missões de vigilância que
aviões militares
anglo-americanos realizam no sul
do país - onde patrulham uma
zona de exclusão aérea.
"Não é
um banimento, é uma retenção
de vôos, por causa dos perigos
envolvidos", disse o
embaixador iraquiano na ONU,
Nizar Hamdoon. "Pode haver
fogo cruzado (entre os caças
ocidentais e a defesa antiaérea
iraquiana), pondo em perigo os
vôos civis".