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JOELMIR
BETTING
Sinistrose
abortada
NOVA YORK -
Caçapa cantada por Wall Street:
o banco central americano, Fed
para os chegados, só vai
rebaixar a taxa básica de juros
(dos federal funds) na segunda
quinzena de fevereiro. A taxa
atual, de 4,75% ao ano, foi
ratificada na reunião de
terça-feira. Alan Greenspan diz
que esse piso é de bom tamanho
para um PIB de 3,6%, uma
inflação de 1,8% e um
desemprego de 4,3%. Uma redução
para 4,50%, recomendada pela
União Européia (onde as taxas
de 11 países fundidos no euro
convergem para 3% ao ano), não
ajudaria em nada na reversão das
expectativas destiladas pela
crise global.
Historicamente,
a taxa básica do Fed vinha sendo
calibrada por uma invenção de
gabinete: a taxa de desemprego
que não acelera a inflação.
Uma construção acadêmica que
tem nome de guerra nos bares de
Wall Street: Nairu. Que não é o
prenome de nenhuma estagiária
espevitada da Casa Branca. É a
sigla, em inglês, de "non
aceleration inflation rate of
unemployment" (a tal de taxa
de desemprego que não acelera a
inflação). Certo?
Errado. A Nairu
estabelece para o desemprego
não-inflacionário a taxa-limite
de 6%. Abaixo disso, a economia
estaria com o radiador fervendo,
a uma curva da inflação de
demanda. Então, desemprego
abaixo de 6% da força total de
trabalho autoriza o Fed, em
caráter preventivo ou
dissuasório, a uma competente
elevação criogênica dos juros
básicos - que enquadram os juros
na ponta do consumo e da
produção. O velho esquema
stop-and-go do monetarismo
acadêmico made in Chicago.
Pois a Nairu
está há quase três anos abaixo
de 6%, devendo virar o ano abaixo
de 4,3% (taxa de novembro) - o
menor índice de desemprego desde
a escalada do Vietnã em 1968. E
a inflação de demanda, a da
ressaca do consumo, não rebrotou
nem vai rebrotar. Ela
simplesmente tomou Doril e sumiu,
deixando a Nairu a ver duendes.
Para a euforia natalina da
irrational exuberance da Bolsa de
Nova York - onde, entre mortos e
feridos, estão escapando todos
ilesos do ano do Juízo Final.
Lembram-se? Há
exatamente um ano, véspera de
Natal mais jururu da década,
economistas e consultores
anunciavam, em todas as línguas
e moedas, que haveria em 1998,
sob os escombros da quebradeira
em cascata da tigrada asiática,
uma recessão mundial de 18
quilates e um que morde.
Inclusive nos Estados Unidos.
Balanço final do ano: expansão
econômica de 2,9% no mundo e de
3,6% nos Estados Unidos. Ah!
Esperem 1999...
Tudo
azul
O americano é
otimista por vocação. Ele
cultiva o que Toynbee chamava de
"espírito de
fronteira". No coletivo, o
otimismo pode não ajudar. Mas o
pessimismo atrapalha.
Esperança
Sucesso de
vendas natalinas na Barnes &
Noble do Citicorp: Optimism: The
Biology of Hope, do antropólogo
Lionel Tiger. Vou degustar a obra
no vôo de regresso ao Brasil
cor-de-anil.
Vontade
Em The Greates
(Random House) há um longo
depoimento de Muhammad Ali
(Cassius Clay), datado de 1978.
Ele diz: "Campeões no
esporte ou no trabalho se fazem
com talento e com vontade. Eu
diria com 51% de vontade e 49% de
talento".
Família
De Donald
Westlake, em A Likely Story
(Warner Books): "O Natal
verdadeiro é uma festa de
aniversário. E não de
nascimento de Cristo. Mas,
através Dele, do nascimento da
Família". Feliz Natal.
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