JC NAS
RUAS
Luce
Pereira
O
espírito da coisa
Não se sabe
para onde viajou o chamado
espírito de Natal que, diz a
lenda, leva todo mundo a tirar os
olhos do próprio umbigo e a
estender a mão àqueles sem eira
nem beira. Algumas pessoas até
imaginam que andam assim com ele,
sobretudo quando visitam,
anualmente, bolsöes de miséria
e lá depositam sua cota de
solidariedade - alguns quilos de
comida e brinquedinhos
arrecadados às pressas. Muitos
dos que se sentem de uma
fraternidade inquestionável
fazem isso de olho na hora em
que, finalmente, com a
consciência apaziguada, vão
poder cair de boca nas lojas dos
shoppings, dando vasão ao desejo
insano de consumir. E o tal
espírito natalino já começa a
desaparecer na busca por um
lugarzinho para estacionar o
carro. Se um sujeito é mais
rápido e deixa chupando o dedo o
candidato a ocupar a vaga, recebe
tratamento só dispensado a
inimigo número um. E ai de quem,
inadvertidamente, furar a fila do
caixa - pode sair achando que a
data máxima da cristandade está
sendo confundida com o Carnaval.
De verdade, por enquanto, o
único espírito que entendemos
é o da coisa e, mesmo assim, só
às vezes.
Alerta
a usuário de plano
A Aduseps
orienta os usuários da
Sulamérica, que optam por
médicos não-credenciados, a
utilizarem o telefone impresso
atrás da carteirinha a fim de
descobrir de quanto será o
reembolso da consulta. É que a
maioria dos clientes não sabe
que planos mais caros, tipo
executivo, dão direito a
restituições mais altas.
E já que a
empresa usa a mesma tabela de
reembolso para profissionais
conveniados, independente do tipo
de plano, a Aduseps avalia que
não ter credenciamento pode não
ser mau negócio. Significa que,
conforme a restituição, é
possível receber até cerca de
quatro vezes mais do que ganha o
médico com vínculo formal.
Miséria
A madrugada foi
de insônia para os fiéis
habitantes das marquises do Cais
de Santa Rita, à espera de
carros lotados com produtos da
cesta básica e presentinhos de
R$ 1,99. Mas a grande ajuda - a
do Estado - continuou adiada por
mais um ano. Ou seria por mais um
século? Foto de Pedro Luiz.
Pelo
ralo
Um chuveirão
pinga dia e noite nas
imediações do Hospital da
Aeronáutica (Jaboatão). Mas na
terra de ninguém, até o colapso
no abastecimento d'água é
tratado como coisa banal.
Moscas
Num bar da
Encruzinha, onde o ex-secretário
de Saúde Jarbas Barbosa
comemorou seu casório, sushis
são disputados por moscas que o
dono tenta matar na frente da
clientela. É de tirar o apetite.
Sobreviventes
Ontem, no
Shopping Recife, a tendência dos
mais espantados com a quantidade
de pessoas se acotovelando nos
corredores era arriscar um
palpite sobre quantos
sobreviveriam à agonia, iniciada
com a tentativa de estacionar. A
crise ficou para depois.
Missa
O Santuário da
Mãe Rainha (Ouro Preto) já
está com tudo pronto para
receber os fiéis que
participarão da missa a ser
celebrada por d. José Cardoso
Sobrinho, amanhã, às 17h.
Estima-se a presença de um
público recorde, este ano.
De olho
I
Depois de
passar a semana correndo de um
lado para outro, com os protestos
dos kombeiros, os policiais do
posto da PRF de Pontezinha (Cabo)
se plantam, hoje, ao longo da
BR-101 Sul duplicada. Querem
baixar a bola de quem exagera ao
volante.
De olho
II
A chefia do
posto acredita que a paz vai
continuar reinando nesse
feriadão, mas, por via das
dúvidas, manterá e até
reforçará as equipes de ronda,
conforme a necessidade registrada
pelo fluxo de veículos na BR.
Nem os radares dormirão no
ponto.
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luce@jc.com.br
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