- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998


JC NAS RUAS
Luce Pereira

O espírito da coisa

Não se sabe para onde viajou o chamado espírito de Natal que, diz a lenda, leva todo mundo a tirar os olhos do próprio umbigo e a estender a mão àqueles sem eira nem beira. Algumas pessoas até imaginam que andam assim com ele, sobretudo quando visitam, anualmente, bolsöes de miséria e lá depositam sua cota de solidariedade - alguns quilos de comida e brinquedinhos arrecadados às pressas. Muitos dos que se sentem de uma fraternidade inquestionável fazem isso de olho na hora em que, finalmente, com a consciência apaziguada, vão poder cair de boca nas lojas dos shoppings, dando vasão ao desejo insano de consumir. E o tal espírito natalino já começa a desaparecer na busca por um lugarzinho para estacionar o carro. Se um sujeito é mais rápido e deixa chupando o dedo o candidato a ocupar a vaga, recebe tratamento só dispensado a inimigo número um. E ai de quem, inadvertidamente, furar a fila do caixa - pode sair achando que a data máxima da cristandade está sendo confundida com o Carnaval. De verdade, por enquanto, o único espírito que entendemos é o da coisa e, mesmo assim, só às vezes.

Alerta a usuário de plano

A Aduseps orienta os usuários da Sulamérica, que optam por médicos não-credenciados, a utilizarem o telefone impresso atrás da carteirinha a fim de descobrir de quanto será o reembolso da consulta. É que a maioria dos clientes não sabe que planos mais caros, tipo executivo, dão direito a restituições mais altas.

E já que a empresa usa a mesma tabela de reembolso para profissionais conveniados, independente do tipo de plano, a Aduseps avalia que não ter credenciamento pode não ser mau negócio. Significa que, conforme a restituição, é possível receber até cerca de quatro vezes mais do que ganha o médico com vínculo formal.

Miséria

A madrugada foi de insônia para os fiéis habitantes das marquises do Cais de Santa Rita, à espera de carros lotados com produtos da cesta básica e presentinhos de R$ 1,99. Mas a grande ajuda - a do Estado - continuou adiada por mais um ano. Ou seria por mais um século? Foto de Pedro Luiz.

Pelo ralo

Um chuveirão pinga dia e noite nas imediações do Hospital da Aeronáutica (Jaboatão). Mas na terra de ninguém, até o colapso no abastecimento d'água é tratado como coisa banal.

Moscas

Num bar da Encruzinha, onde o ex-secretário de Saúde Jarbas Barbosa comemorou seu casório, sushis são disputados por moscas que o dono tenta matar na frente da clientela. É de tirar o apetite.

Sobreviventes

Ontem, no Shopping Recife, a tendência dos mais espantados com a quantidade de pessoas se acotovelando nos corredores era arriscar um palpite sobre quantos sobreviveriam à agonia, iniciada com a tentativa de estacionar. A crise ficou para depois.

Missa

O Santuário da Mãe Rainha (Ouro Preto) já está com tudo pronto para receber os fiéis que participarão da missa a ser celebrada por d. José Cardoso Sobrinho, amanhã, às 17h. Estima-se a presença de um público recorde, este ano.

De olho I

Depois de passar a semana correndo de um lado para outro, com os protestos dos kombeiros, os policiais do posto da PRF de Pontezinha (Cabo) se plantam, hoje, ao longo da BR-101 Sul duplicada. Querem baixar a bola de quem exagera ao volante.

De olho II

A chefia do posto acredita que a paz vai continuar reinando nesse feriadão, mas, por via das dúvidas, manterá e até reforçará as equipes de ronda, conforme a necessidade registrada pelo fluxo de veículos na BR. Nem os radares dormirão no ponto.

E-mail

luce@jc.com.br

 
 

 

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