- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998


LANCE LIVRE
Fernando Menezes

Justo, muito justo, justíssimo!

Como diria o personagem vivido por José Wilker, coronel matador do Nordeste, é justo, é muito justo, é justíssimo, o título conquistado pelo Corinthians. O Timão fez a melhor campanha do Campeonato, e nos jogos finais não ficou plantado na sua cozinha para garantir a vantagem do empate. Jogou pra ganhar. E começou a conquistar o título na casa do adversário, onde arrancou um empate heróico, que lhe abriu as portas do armário de onde retirou a taça do vencedor. O Cruzeiro merece destaque porque saiu de um quase rebaixamento para disputar a final, chegou até onde suas forças permitiram. Da partida de ontem deve ser dito, de saída, que faz tempo não víamos um jogo decisivo com tanta lealdade e disciplina, e além disso, uma arbitragem impecável. O gaúcho Simon apitou em cima do lance, com um fôlego impressionante, autoridade na medida certa e auxiliado por dois bandeiras eficientes e igualmente discretos. Armamdo Marques acertou ao trocar o sergipano Sidrack Marinho dos Santos, ótimo árbitro, mas sem condições físicas, pelo gaúcho Carlos Eugênio Simon. O sergipano teria encerrado sua carreira arbitrando uma grande final, mas era um risco muito elevado. Simon fez um trabalho irretocável.

O Cruzeiro precisava da vitória, mas sua postura foi mais que cuidadosa, chegou a ser imprudente. Tocou demais a bola e de forma lenta. Fábio Júnior voltou a jogar sob severa marcação (um no corpo a corpo e outro na sobra), e de costas para o gol. Era obrigado a buscar o jogo aquém do meio do campo. E o principal: a marcação de Rincón sobre Müller liquidou a armação de jogadas do Cruzeiro. Depois dos vinte minutos do segundo tempo, o Cruzeiro abandonou de vez sua excessiva cautela, mas o gol de Edilson, servido milimetricamente por Dinei (ele outra vez!) foi uma ducha de água fria. No desespero, os mineiros foram na base do vamos que vamos e tomaram o segundo gol, nova jogada de Dinei, que Marcelinho concluiu, autorizando a Fiel a vestir a faixa. Muito justo, foi justíssimo!

E-mail: fmenezes@jc.com.br

 
 

 

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