- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 24 de dezembro de 1998

GOVERNO FEDERAL
FHC anuncia novo Ministério e exige fidelidade no Congresso

BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou ontem, de forma mais clara, durante o anúncio do ministério para o seu segundo mandato, a disposição de demitir ministros cujos partidos votem contra o Governo em "matérias fundamentais para o Brasil, como o ajuste fiscal." "Claro que eu demito", disse. Antes dessa afirmação, FHC chegou a dizer que o País estava cansado de "um certo estilo de relacionamento Governo-Congresso", o que ele exercitou nos quatro anos do seu primeiro mandato.

"Eu também cansei", disse, enquanto explicava que insistirá, em janeiro, no envio ao Congresso de projeto instituindo a contribuição previdenciária dos servidores inativos e dos pensionistas da União. A proposta já foi rejeitada quatro vezes pelos parlamentares. Inicialmente, só seria reapresentada em fevereiro, na nova legislatura.

Em diferentes momentos, o presidente jogou para os partidos a responsabilidade pela volta do crescimento da economia. "Quem não estiver a favor do ajuste fiscal está dificultando a baixa dos juros e o desenvolvimento do Brasil. O ajuste fiscal é um compromisso fundamental, não há objeção de consciência nessa matéria."

Na nova composição do Ministério, algumas surpresas. O presidente desistiu de criar a Secretaria de Governo, deixando a articulação política com o novo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Além do Ministério da Defesa, foram criadas seis secretarias que atuarão sob sua supervisão direta. O presidente disse que trabalhou quase em isolamento na composição da equipe. Perguntado se o novo Ministério, no qual 12 ministros continuam, era o de seus sonhos ou o possível, respondeu: "O político sonha de olhos abertos."

MAIOR FORÇA - Quem mais espaço ganhou no rateio dos cargos foi o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Por causa dele, FHC desistiu de criar o Ministério da Infra-Estrutura, que reuniria, sob o comando do PMDB, Transportes, Comunicações e Minas e Energia. Em vez de ser extinto, o Ministério de Minas e Energia continua nas mãos de um apadrinhado de ACM. Sai o baiano Raimundo Britto, entra o baiano Rodolfo Tourinho. Outro aliado de ACM, o senador Élcio Alvares (PFL-ES), vai comandar o Ministério da Defesa.

ACM também avalizou a nomeação do deputado José Sarney Filho (PFL-MA) para o Ministério do Meio Ambiente - indicação que, formalmente, partiu do senador José Sarney (PMDB-AP). Antes, a pasta estava nas mãos do PFL pernambucano, que, embora tenha no vice-presidente Marco Maciel seu líder maior, fica agora sem nomes na equipe de FHC.

O PFL de Pernambuco rejeitou o Ministério da Ciência e Tecnologia, para onde estava cotado o senador eleito José Jorge (leia mais na Coluna Pinga-Fogo). A pasta terminou reservada ao tucano Luiz Carlos Bresser Pereira, que ficou sem lugar com o fim da pasta da Administração, transformada em secretaria.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes