GOVERNO FEDERAL
FHC
anuncia novo Ministério e exige
fidelidade no CongressoBRASÍLIA - O
presidente Fernando Henrique
Cardoso reafirmou ontem, de forma
mais clara, durante o anúncio do
ministério para o seu segundo
mandato, a disposição de
demitir ministros cujos partidos
votem contra o Governo em
"matérias fundamentais para
o Brasil, como o ajuste
fiscal." "Claro que eu
demito", disse. Antes dessa
afirmação, FHC chegou a dizer
que o País estava cansado de
"um certo estilo de
relacionamento
Governo-Congresso", o que
ele exercitou nos quatro anos do
seu primeiro mandato.
"Eu
também cansei", disse,
enquanto explicava que
insistirá, em janeiro, no envio
ao Congresso de projeto
instituindo a contribuição
previdenciária dos servidores
inativos e dos pensionistas da
União. A proposta já foi
rejeitada quatro vezes pelos
parlamentares. Inicialmente, só
seria reapresentada em fevereiro,
na nova legislatura.
Em diferentes
momentos, o presidente jogou para
os partidos a responsabilidade
pela volta do crescimento da
economia. "Quem não estiver
a favor do ajuste fiscal está
dificultando a baixa dos juros e
o desenvolvimento do Brasil. O
ajuste fiscal é um compromisso
fundamental, não há objeção
de consciência nessa
matéria."
Na nova
composição do Ministério,
algumas surpresas. O presidente
desistiu de criar a Secretaria de
Governo, deixando a articulação
política com o novo ministro das
Comunicações, Pimenta da Veiga.
Além do Ministério da Defesa,
foram criadas seis secretarias
que atuarão sob sua supervisão
direta. O presidente disse que
trabalhou quase em isolamento na
composição da equipe.
Perguntado se o novo Ministério,
no qual 12 ministros continuam,
era o de seus sonhos ou o
possível, respondeu: "O
político sonha de olhos
abertos."
MAIOR FORÇA
- Quem mais espaço ganhou no
rateio dos cargos foi o senador
Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA). Por causa dele, FHC
desistiu de criar o Ministério
da Infra-Estrutura, que reuniria,
sob o comando do PMDB,
Transportes, Comunicações e
Minas e Energia. Em vez de ser
extinto, o Ministério de Minas e
Energia continua nas mãos de um
apadrinhado de ACM. Sai o baiano
Raimundo Britto, entra o baiano
Rodolfo Tourinho. Outro aliado de
ACM, o senador Élcio Alvares
(PFL-ES), vai comandar o
Ministério da Defesa.
ACM também
avalizou a nomeação do deputado
José Sarney Filho (PFL-MA) para
o Ministério do Meio Ambiente -
indicação que, formalmente,
partiu do senador José Sarney
(PMDB-AP). Antes, a pasta estava
nas mãos do PFL pernambucano,
que, embora tenha no
vice-presidente Marco Maciel seu
líder maior, fica agora sem
nomes na equipe de FHC.
O PFL de
Pernambuco rejeitou o Ministério
da Ciência e Tecnologia, para
onde estava cotado o senador
eleito José Jorge (leia mais na Coluna
Pinga-Fogo). A pasta terminou
reservada ao tucano Luiz Carlos
Bresser Pereira, que ficou sem
lugar com o fim da pasta da
Administração, transformada em
secretaria.