IGREJA
Papa
chama d. Lucas para alto cargo no
VaticanoBRASÍLIA - O
papa João Paulo II transformou,
ontem, dom Lucas Moreira Neves,
72, em uma das autoridades
católicas mais importantes do
mundo, reforçando as
especulações sobre as chances
do religioso brasileiro na
sucessão papal. Dom Lucas foi
desligado da diocese de Salvador
e da presidência da CNBB
(Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil) para se tornar uma
espécie de ministro do papa.
Ele assumiu a
prefeitura da Congregação para
os Bispos, responsável pela
criação e fusão de dioceses e
pela nomeação de bispos.
Também foi nomeado pelo papa
para presidir a Comissão
Pontifícia para América Latina
e se tornou o sexto
cardeal-bispo, cargo honorífico
mais elevado na hierarquia dos
cardeais. Ele será responsável
pela Diocese de Sabina Poggio
Mirteto, localizada em um
subúrbio do Vaticano.
Assessores da
CNBB disseram que acham difícil
dom Lucas pleitear entrar na
disputa da sucessão do papa. Ele
sofre de diabete e vai completar
73 anos em breve, idade
considerada avançada para se
candidatar ao cargo.
Dom Lucas
Moreira Neves afirmou, ontem, que
não vai recomendar ao papa a
nomeação de religiosos que
preguem a Teologia da
Libertação a partir de uma
análise marxista. Ele se referiu
a Karl Marx, um dos principais
teóricos do comunismo. No cargo
de prefeito da Congregação, ele
terá a responsabilidade de
examinar os pedidos de nomeação
de bispos enviados de todas as
partes do mundo. Há cerca de
4.600 bispos no mundo e cerca de
300 no Brasil. "Há várias
teologias da libertação. A
defendida pelo papa é baseada na
solidariedade e não é aquela
que parte de uma análise
marxista", afirmou.