PROJETO
A
cultura caminha em passos largospor JANAÍNA LIMA
Interpretar,
registrar, reunir, estimular e
divulgar a expressão popular
partindo dos seus lugares de
origem: favelas, povoados,
subúrbios, feiras e mercados,
possibilitando a integração
entre o povo e as suas
tradições. Esse é o objetivo
do projeto Pernambembe, que acaba
de ser beneficiado pela Lei
Estadual de Incentivo à Cultura.
Idealizado por um grupo de amigos
do bairro de Peixinhos, o
Pernambembe reinventa a proposta
dos antigos atores mambembes,
comuns na Europa durante a Idade
Média.
"A idéia
é exatamente mambembar com a
cultura pernambucana. Visitar as
comunidades levando música,
poesia e artes plásticas,
baseadas na própria cultura da
região. Vivemos um processo
crescente de revalorização da
nossa cultura, que tem conseguido
ocupar cada vez mais espaço na
mídia em geral. No entanto, os
berços de inpiração desses
valores têm ficado à margem
desse processo. Queremos reviver
o maracatu, o cavalo-marinho, nos
seus locais de origem, numa
espécie de viagem de volta, já
que na capital, esses elementos
têm sido revisitados por
diversos artistas", anuncia
Fabiano Sobreira ou Binho
Maracatu, um dos integrantes do
projeto.
Criado há
pouco mais de um ano, o
Pernambembe já realizou várias
intervenções em bairros da
Região Metropolitana do Recife,
como as favelas V-8 e Giriquiti,
e na feira do troca-troca e no
Matadouro de Peixinhos. "Em
fevereiro deste ano, organizamos,
juntamente com outros grupos que
atuam em Peixinhos e algumas
bandas da nova cena, o
PopRockRegional - Você Tem Fome
de Quê?. Foi um dia inteiro de
oficinas de percussão e pintura,
e shows, no Matadouro de
Peixinhos. Aliás, o matadouro é
um dos locais mais abandonados da
cidade, apesar de ter grande
valor histórico. Se fosse
reformado, com certeza poderia
funcionar como escola e centro
comunitário", afirma Binho
Maracatu. Além do PopRock, a
proposta do Pernambembe já foi
mostrada na VI Semana de Arte da
AFTC, organizada pelos
funcionários do Tribunal de
Contas, e na Semana do Mangue,
promovida pelo Espaço Ciência.
A idéia tambpem foi apresentada
em shows em bares do Recife, como
o Fortim Bar e o Pólo Torre.
O local
preferido dos
"mambembes" são as
feiras e mercados públicos.
"Chegamos quase sem avisar,
e começamos a montar o palco,
com a ajuda dos moradores do
local. Como é sempre nas feiras
e mercados que se reúnem os
"artistas" da cidade
preferimos esses locais",
explica Fabiano. O processo é o
seguinte: pela manhã, arma-se o
palco e realizam-se as oficinas
de percussão, pintura,
expressão corporal, poesia e
leitura. À tarde, o resultado é
mostrado num show interativo,
comandado pelo grupo Batuque,
expressão musical do projeto.
"O que foi produzido em
artes plásticas vai compor o
mural que enfeita o palco,
juntamente com o material de
poesia", conta Fabiano, que
integra o Batuque juntamente com
Firo Gravura, Cal Cabelo,
Arrastafári, Marcos Doidera e
Topeira. Mas é quando a noite
chega que os artistas populares
se misturam aos mambembes, numa
apresentação intercalada com
recital de poesia, música e
dança. "Convidamos os
violeiros, repentistas, puxadores
de coco, enfim, os artistas do
local para fazerem parte do show.
Tudo vira uma grande festa",
ressalta ele.
PLANOS -
Além de estender a idéia às
cidades da Zona da Mata Sul e
Norte, os integrantes do projeto
querem criar em Peixinhos uma
escola, que funcionaria com sede
do Pernambembe e como espaço
para oficinas de percussão.
"Seria uma maneira de manter
o elo com a nossa comunidade e de
garantir o funcionamento das
oficinas fora das visitas",
completa Firo Gravura, outro
membro do Pernambembe.
O projeto
inclui ainda a elaboração de
material áudio-visual (vídeo e
fita demo), além de exposição
fotográfica. Os empresários
interessados em auxiliar o grupo
podem entrar em contato através
do fone: 973.9072 ou 271.0905, ou
através do e-mail: opus@nlink.com.br.