- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

PROJETO II
Som com inspiração poética

O Batuque é a alma do projeto Pernambembe. Apesar de ser da geração do movimento mangue, o forte do grupo é a percussão, temperada como o toque dos tambores e do pandeiro. E mesmo mantendo-se "virgem", o grupo ainda não lançou nenhuma demo, o Batuque tem conseguido espaço em alguns bares da cidade.

A base de inspiração das músicas do grupo vem dos poemas de João Cabral de Melo Neto, Ascenso Ferreira e Manuel Bandeira, que ganham cara nova ao serem recontadas em cocos, xaxados e maracatus. A colagem não está apenas nos ritmos, mas nos instrumentos. Ao lado dos tambores, ressoam rabecas e alfaias de capoeira.

O repertório do grupo, vem crescendo à medida que o projeto Pernambembe vem tomando corpo. Os destaques são as músicas: Vadiando, Cadê Cultura, Severinos, Canavial, Batucada, Oxente, Homem de Ferro, Brincantes e Maloca. Esta última é um coco temperado com capoeira que fala das crianças que adoram subir nos pés de fruta dos vizinhos. Já Canavial, mistura maracatu de baque solto com baque virado para retratar a dura realidade dos caboclos de lança, que durante o ano inteiro dão duro nos engenhos que ainda restam na Zona da Mata.

O cotidiano do bairro de Peixinhos também faz parte do imaginário do Batuque. A música Vadiando relembra as ruas do bairro, e a movimentação do povo pelos botecos, mercados e feiras. Sem guitarras e baixos e com muita garra e talento os batuqueiros mambembes já estão maduros para uma primeira fita ou CD demo.


     

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