MÚSICA
Blur
e Pulp mostram o que a Inglaterra
tem de poppor SCHNEIDER
CARPEGGIANI
Apesar da
incontestável qualidade presente
nos trabalhos de artistas como
Nirvana e Pearl Jam, o principal
legado deixado pelas bandas da
cena grunge está mais em termos
de atitude e comportamento, do
que necessariamente em música.
É possível afirmar que as
bandas de Seattle foram as
responsáveis pela principal
característica do pop dos anos
90: A união definitiva entre a
estética musical underground e a
mainstream.
O que o Grunge
não deixou em matéria de som, o
outro grande movimento musical
desta década, o Britpop, trouxe
em matéria de diversificação
sonora e variedade de bandas.
Nunca na história da música uma
gama tão grande de grupos,
completamente diferentes entre
si, como Kula Shacker, Morcheeba,
Portishead, Ocean Color Scene,
foram agrupados sob o mesmo
rótulo. Duas das maiores bandas
do Britpop, Blur e Pulp, acabam
de lançar novos CDs capazes de
fazer o público mundial
descobrir que a Inglaterra não
é só a terra dos Beatles, Oasis
e Spice Girls.
Com certeza
para a maioria dos brasileiros, o
Blur é mais lembrado como a
banda do
"Woooo-Wooooo", o grito
de guerra da canção Song 2, que
foi onipresente nas festas e na
MTV no ano passado. Só que o
Blur tem um dos trabalhos mais
consistentes das atuais bandas
inglesas e seus CDs anteriores
como Parklife e Leisure são
considerados clássicos da
música pop. O vocalista da
banda, Damon Albarn, é também o
responsável pela melhor frase
já dita em relação ao Oasis:
"Eles são as Spice Girls
drogadas". Em seu novo CD, o
duplo Bustin' & Dronin', a
banda optou por utilizar a velha
forma de misturar remixes com
material gravado ao vivo. Todos
os remixes presentes no CD 1 são
do mais recente trabalho da
banda, Blur, e ficaram a cargo
dos grandes mestres da cena
Techno como William Orbit (que
produziu o novo da Madonna) e
Moby.
A versão de
William para a faixa Moving on é
matadora em qualquer pista e traz
os elementos do som
"ambient", que já são
característicos do trabalho do
produtor. Já a versão de On
Your Own é quase cópia da já
clássica Born Slippy, do
Underworld, presente na trilha de
Trainspotting. Para quem prefere
um Blur mais Rock and Roll, o CD
2, gravado ao vivo, é a grande
pedida. Lá estão Beetlebum,
Song 2 e a desenterrada Popscene
com seu inconfundível "Na,
na , na, na". O grande
problema aqui é o fato de Damon
Albarn desafinar quase o tempo
todo e além disso o grande
barato de um show do Blur é
mesmo ver a performance
hipnótica e meio débil-mental
de Damon.
PULP - A
escritora Marguerite Duras, uma
vez escreveu em um dos seus
livros: "A dor foi uma das
coisas mais importantes da minha
vida", com certeza o
vocalista do Pulp, Jarvis Cocker,
incluiria também nessa frase o
medo de envelhecer, a paranóia e
a solidão, que são os temas
mais constantes no mais novo CD
da banda, o sombrio This is
Hardcore. Nesse novo trabalho o
Pulp parece ter abandonado de vez
a veia mais pop de músicas como
Commom People e Monday Morning,
para abraçar uma sonoridade mais
lenta e intimista, com letras que
retratam o aparente desespero do
ser humano diante de um cotidiano
sem saída.
Já na música
de abertura Jarvis Cocker avisa
ao ouvinte: "Você vai
cantar quando estiver triste,
solitário e quando tudo der
errado". Um dos grandes
momentos do trabalho vem logo em
seguida com a faixa-título, This
is Hardcore, uma daquelas
músicas que são capazes de
fazer você parar o que estiver
fazendo para prestar atenção. O
grande problema do CD está
exatamente na falta de uma
melodia que grude imediatamente
na cabeça de quem está
escutando, a maioria das músicas
dão a impressão de serem meros
poemas cantados. Mas qualquer um
que consiga conceber um verso
como: "Sem você minha vida
se tornou uma ressaca sem fim. Um
filme feito para a TV: Diálogo
ruim atuação ruim e nenhum
interesse" pode ser de todo
mal.