- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

DE PORTUGAL
Os 50 mais da Europa

por DUDA GUENNES*

LISBOA - Com a aproximação do fim do milênio, está a haver uma avidez na imprensa mundial para escolher quais e quem foram as pessoas mais iportantes de todos os tempos, e em todos os campos. Cada jornal e cada "expert" procura fazer antecipada e "atempadamente" as suas listas.

Tudo começou em 1979, quando o astrônomo, físico e matemático note-americano, Michael H. Hart publicou o livro The 100: a ranking of most influential persons in History. Em 1981, o jornal francês L'Equip divulgou a seleção dos atletas do século, dando Pelé na cabeça, com quase duas décadas de antecipação em relação ao milênio.

O escritor William Rees-Moog provocou uma verdadeira polêmica no mundo intelectual europeu quando escreveu o artigo Uma Calma Inquietante na Frente Ocidental, no jornal inglês The Independent, em dezembro e 1989, estabelecendo uma lista dos 50 pensadores mais influentes da história de Europa.

No artigo, Rees-Moog afirma que o século XX é pobre em profetas e heróis, embora rico em criadores intermediários. "É desoladora a decadência do nosso século", constata Moog. "No século XX apenas Einstein e Stravinski possuem personalidades intactas; os demais são, em grau variável, neuróticos, trágicos ou atormentados. Isto não os impediu de exercer uma grande influência no nosso desenvolvimento cultural. Nenhum mestre do século XX pertence à segunda metade do século", analisa o escritor inglês.

Na sua lista, Moog reconhece que a Itália "é o berço da civilização européia" e que transmitiu a idéia clássica "a uma Europa de bárbaros; Roma, centro do pontificado, propagou a fé da Igreja católica. Até o final do século XV, os italianos dominaram a cultura eruopéia nos campos da literatura, a ciência, a erudição, a pintura e a arquitetura. O Renascimento é um fenômeno italiano que se estendeu para o resto da Europa".

Feito este preâmbulo, vamos à lista dos 50 Mestres da Europa, de Moog: Século XIII: Tomás de Aquino (Itália), Francisco de Assis (Itália), Dante Alighieri (Itália).

Século XIV: Geofrey Chaucer (Inglaterra).

Século XV: Jorna D'Arc (França), Miguel Ângelo (Itália), Cristóvão Colombo (Itália-Espanha), Gutemberg (Alemanha), Leonardo da Vinci (Itália).

Século XVI: Teresa d'Ávila (Espanha), Erasmus (Holanda), Inácio de Loiola (Espanha), Lutero (Alemanha), Maquiavel (Itália) Montaigne (França), Shakespeare (Inglaterra).

Século XVII: Francis Bacon (Inglaterra), Moliére (França), Isaac Newton (Inglaterra), Rembrandt (Holanda).

Século XVIII: J. S. Bach (Alemanha), Goethe (Alemanha), Samuel Johnson (Inglaterra), Mozart (Áustria), Rousseau (Suíça), Adam Smith (Inglaterra), Voltaire (França).

Século XIX: Jane Austen (Inglaterra), Beethoven (Alemanha), Cezanne (França), Darwin (Inglaterra), Charles Dickens (Inglaterra), Van Gogh (Holanda), Lord Byron (Inglaterra), Hegel (Alemanha), Victor Hugo (França), Malthus (Inglaterra), Marx (Alemanha), Tolstoi (Rússia), Wagner (Alemanha).

Século XX: Albert Einstein (Alemanha), Freud (Áustria), Hitler (Áustria), James Joyce (Irlanda), Lenine (Rússia), Picasso (Espanha), Igor Stravinski (Rússia).

A lista é esta. Quem concordar vote a favor, quem discordar vote contra. Eu acho que Camões teria lugar cativo nesta seleção.

* Duda Guennes é jornalista


     

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