- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

CINEMA III
Bruce Willis joga mais uma bomba contra o público

O operário padrão Bruce Willis bate ponto mais uma vez em Código Para O Inferno (Mercury Rising, EUA, 1998, Recife 3, Veneza), de Harold Becker (Vítimas de Uma Paixão), um thriller inodoro, incolor e indolor que estréia hoje no Brasil. Aqui, pode ser visto no Recife 3. Se juntarmos os últimos três filmes de Willis (O Último Matador, O Quinto Elemento e O Chacal) a esse, poderemos ver com clareza que Willis já é capaz de fazer esse tipo de filme dormindo, o que realmente acontece em inúmeras cenas.

Escrever sobre a trama é como preencher um formulário com nome, endereço e RG. Art Jeffries (Willis) é um agente do FBI, solitário, competente e que não gosta do chefe. Ele torna-se guarda-costas de Simon (Miko Hughes, que deverá trabalhar em outros filmes) um garotinho autista capaz de decifrar um código ultra-secreto escondido numa revista de palavras cruzadas. A idéia da agência de inteligência do governo era testar o código justamente com adolescentes CDF ou seres humanos super dotados, como Simon.

A idéia do filme era, provavelmente, juntar um policial durão e um garotinho deficiente, idéia articulada com pouca sutileza ao vermos flashbacks em preto e branco da abertura do filme, onde Art presencia a morte de dois adolescentes num assalto a banco, baleados, em parte, por sua culpa. Isto supostamente aumentaria a sua ligação com Simon. Zzzz...

Ao ser informado que o seu código milionário foi quebrado, o homem mau do filme e chefe da divisão de segurança do governo Kudrow (Alec Baldwyn) ordena que personagens menores sejam executados (os simpáticos pais de Simon) por um homem engravatado e com cabelo escovinha, tudo em nome da segurança nacional. Outras pessoas simpáticas (com as palavras "vai morrer" estampadas nas testas) também caem como moscas.

Jeffries, portanto, passa a proteger Simon dentro de um hospital, numa ambulância, num trem (boa cena, embora gratuita) e na rua, tudo isso sem lembrar de usar o telefone para pedir ajuda a colegas. Por quê? Porque aí não teria filme. A desculpa, na verdade, é que há uma conspiração e que não se pode acreditar em ninguém, afinal de contas, a verdade está lá fora.

O problema é que o roteiro é tão fraco que a conspiração resume-se ao homem mau do filme e seu fiel andróide de cabelo escovinha, suspeita confirmada pelo espectador durante o final estúpido, em cima de um prédio (com os piores fundos de paisagem já usados numa grande produção desse tipo). Código Para o Inferno é pouco barulho por nada e levou uma merecida bomba nas bilheterias americanas.


     

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