CINEMA III
Bruce
Willis joga mais uma bomba contra
o públicoO operário padrão
Bruce Willis bate ponto mais uma
vez em Código Para O Inferno
(Mercury Rising, EUA, 1998,
Recife 3, Veneza), de Harold
Becker (Vítimas de Uma Paixão),
um thriller inodoro, incolor e
indolor que estréia hoje no
Brasil. Aqui, pode ser visto no
Recife 3. Se juntarmos os
últimos três filmes de Willis
(O Último Matador, O Quinto
Elemento e O Chacal) a esse,
poderemos ver com clareza que
Willis já é capaz de fazer esse
tipo de filme dormindo, o que
realmente acontece em inúmeras
cenas.
Escrever sobre
a trama é como preencher um
formulário com nome, endereço e
RG. Art Jeffries (Willis) é um
agente do FBI, solitário,
competente e que não gosta do
chefe. Ele torna-se guarda-costas
de Simon (Miko Hughes, que
deverá trabalhar em outros
filmes) um garotinho autista
capaz de decifrar um código
ultra-secreto escondido numa
revista de palavras cruzadas. A
idéia da agência de
inteligência do governo era
testar o código justamente com
adolescentes CDF ou seres humanos
super dotados, como Simon.
A idéia do
filme era, provavelmente, juntar
um policial durão e um garotinho
deficiente, idéia articulada com
pouca sutileza ao vermos
flashbacks em preto e branco da
abertura do filme, onde Art
presencia a morte de dois
adolescentes num assalto a banco,
baleados, em parte, por sua
culpa. Isto supostamente
aumentaria a sua ligação com
Simon. Zzzz...
Ao ser
informado que o seu código
milionário foi quebrado, o homem
mau do filme e chefe da divisão
de segurança do governo Kudrow
(Alec Baldwyn) ordena que
personagens menores sejam
executados (os simpáticos pais
de Simon) por um homem
engravatado e com cabelo
escovinha, tudo em nome da
segurança nacional. Outras
pessoas simpáticas (com as
palavras "vai morrer"
estampadas nas testas) também
caem como moscas.
Jeffries,
portanto, passa a proteger Simon
dentro de um hospital, numa
ambulância, num trem (boa cena,
embora gratuita) e na rua, tudo
isso sem lembrar de usar o
telefone para pedir ajuda a
colegas. Por quê? Porque aí
não teria filme. A desculpa, na
verdade, é que há uma
conspiração e que não se pode
acreditar em ninguém, afinal de
contas, a verdade está lá fora.
O problema é
que o roteiro é tão fraco que a
conspiração resume-se ao homem
mau do filme e seu fiel andróide
de cabelo escovinha, suspeita
confirmada pelo espectador
durante o final estúpido, em
cima de um prédio (com os piores
fundos de paisagem já usados
numa grande produção desse
tipo). Código Para o Inferno é
pouco barulho por nada e levou
uma merecida bomba nas
bilheterias americanas.