FRAUDE
Denunciada
máfia no comércio de gásA empresa Nacional Gás
Butano (antiga Brasilgás) está
sendo acusada por uma de suas
concorrentes, a Ultragaz, de
fazer uso de botijões que têm a
sua marca, o que é proibido pelo
Código de Auto-Regulamentação
Relativo ao Envasilhamento,
Comercialização e
Distribuição de Gás Liquefeito
de Petróleo. A venda irregular
dos botijões é prejudicial
também para o consumidor, que
fica sem respaldo legal para
entrar com um processo em caso de
acidente. Com base em denúncias,
a polícia apreendeu, ontem, um
caminhão da Butano com cerca de
200 botijões, muitos dos quais
com a marca da Ultragaz e de
outras empresas.
O flagrante
aconteceu quando o caminhão da
Butano fazia a troca de botijões
em um pequeno posto de
distribuição de gás de cozinha
no Km 19 de Aldeia, na localidade
conhecida como Chã de Cruz. Os
botijões da Ultragaz, que têm
cor azul, estavam pintados de cor
prata, assim como outros de
marcas diferentes, para ficarem
iguais aos da Butano.
O motorista da
Butano, Mariano Filho, disse que
fora ali apenas trocar botijões
sem lacre e com defeito, mas não
soube explicar porque alguns
estavam pintados de prata e
misturados aos da empresa para a
qual trabalha. No veículo, a
polícia encontrou um saco com 23
lacres azuis, sem
identificação. O caminhão com
a carga foi levado para a
Delegacia de Furto de Veículos
para investigações e posterior
entrega à Agência Nacional de
Petróleo.
Já o dono do
posto que recebia os botijões da
Butano, Marlúcio Cadena, disse
que passou a comprar o produto da
empresa na última sexta-feira.
Segundo explicou, antes adquiria
os da Copagaz. Da compra de 62
unidades feitas à Butano
restavam apenas 23, ontem.
"Não sabia que havia esse
problema entre as
distribuidoras".
O gerente de
mercado de Ultragaz, Fernando
Luiz Perez, explicou que pelo
código que regulamenta o
comércio de gás, as empresas
têm de devolver à concorrente o
botijão que a ela pertença.
Segundo ele, no Sul não mais
existe o problema, "mas aqui
em Pernambuco a Butano tem
infringido as normas".
O diretor
regional da Butano, Franco
Cavallazzi, respondeu as
acusações dizendo ser
"pura jogada de marketing da
Ultragaz, que esteve duas vezes
aqui, não acreditou no mercado e
agora quer voltar". E
continuou: "Estamos há 45
anos neste mercado e quem tem de
dizer se há algo errado é o
Departamento Nacional de
Combustíveis". Ele alegou
haver só um botijão da Ultragaz
em seu caminhão.