- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

FRAUDE
Denunciada máfia no comércio de gás

A empresa Nacional Gás Butano (antiga Brasilgás) está sendo acusada por uma de suas concorrentes, a Ultragaz, de fazer uso de botijões que têm a sua marca, o que é proibido pelo Código de Auto-Regulamentação Relativo ao Envasilhamento, Comercialização e Distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo. A venda irregular dos botijões é prejudicial também para o consumidor, que fica sem respaldo legal para entrar com um processo em caso de acidente. Com base em denúncias, a polícia apreendeu, ontem, um caminhão da Butano com cerca de 200 botijões, muitos dos quais com a marca da Ultragaz e de outras empresas.

O flagrante aconteceu quando o caminhão da Butano fazia a troca de botijões em um pequeno posto de distribuição de gás de cozinha no Km 19 de Aldeia, na localidade conhecida como Chã de Cruz. Os botijões da Ultragaz, que têm cor azul, estavam pintados de cor prata, assim como outros de marcas diferentes, para ficarem iguais aos da Butano.

O motorista da Butano, Mariano Filho, disse que fora ali apenas trocar botijões sem lacre e com defeito, mas não soube explicar porque alguns estavam pintados de prata e misturados aos da empresa para a qual trabalha. No veículo, a polícia encontrou um saco com 23 lacres azuis, sem identificação. O caminhão com a carga foi levado para a Delegacia de Furto de Veículos para investigações e posterior entrega à Agência Nacional de Petróleo.

Já o dono do posto que recebia os botijões da Butano, Marlúcio Cadena, disse que passou a comprar o produto da empresa na última sexta-feira. Segundo explicou, antes adquiria os da Copagaz. Da compra de 62 unidades feitas à Butano restavam apenas 23, ontem. "Não sabia que havia esse problema entre as distribuidoras".

O gerente de mercado de Ultragaz, Fernando Luiz Perez, explicou que pelo código que regulamenta o comércio de gás, as empresas têm de devolver à concorrente o botijão que a ela pertença. Segundo ele, no Sul não mais existe o problema, "mas aqui em Pernambuco a Butano tem infringido as normas".

O diretor regional da Butano, Franco Cavallazzi, respondeu as acusações dizendo ser "pura jogada de marketing da Ultragaz, que esteve duas vezes aqui, não acreditou no mercado e agora quer voltar". E continuou: "Estamos há 45 anos neste mercado e quem tem de dizer se há algo errado é o Departamento Nacional de Combustíveis". Ele alegou haver só um botijão da Ultragaz em seu caminhão.


     

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