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-- - - - - - - -- - - - - - - - -- - - - -_-Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

QUÍMICA
Alga limpa metal pesado de efluente industrial

As macroalgas, conhecidas como sargaço, podem ser utilizadas no tratamento de efluentes industriais, para a retirada de metais pesados. Duas pesquisas do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) comprovam que as macroalgas podem reter mais de 90% dos metais chumbo e cromo, provenientes das indústrias de galvanoplastia (tratamento de metais), baterias e tintas, por exemplo.

As macroalgas constituem um conjunto de algas, também chamadas de algas arribadas. São aquelas que, desprendidas de seu ambiente natural, devido à força das marés e período de maturação, são depositadas na praia, em processo de decomposição. O sargaço, na verdade, representa apenas um gênero, chamado de Sargassum, das macroalgas, conforme explica a professora Valdinete Lins, que está orientando as pesquisas sobre o uso de macroalgas para recuperação de efluentes industriais com metais pesados. "As algas que estão na praia já não cumprem funções vitais para o ecossistema marinho", salienta Valdinete.

De acordo com a pesquisadora, os metais são fixados na estrutura das macroalgas. Isso acontece porque as macroalgas apresentam em sua superfície grupos funcionais com átomos negativos (ânions), que atraem os átomos positivos (cátions), existentes no metais. A partir do contato do efluente industrial com a alga seca, foi constatada a redução de 99% das 780 miligramas do metal cromo presentes em um litro de efluente industrial. No caso do chumbo, o resultado foi a adsorção de 97% das 30 miligramas por litro de resíduo. O tempo de contato do efluente com a macroalga pode variar de duas a três horas, dependendo das características do resíduo.

Os testes em laboratórios foram realizados utilizando efluente industrial sintético e, posteriormente, dejetos de duas indústrias pernambucanas que liberam, cada uma delas, em seu processo produtivo, os metais chumbo e cromo. Foram estudados 12 gêneros de macroalgas diferentes, coletadas na praia de Itamaracá, informa Marta Maria Menezes, que está terminando sua tese de doutorado sobre a remoção de chumbo com macroalgas.

"Depois de removido das macroalgas, explica Valdinete Lins, os metais podem servir, novamente, de matéria-prima. As macroalgas secas, quando saturadas, podem ser ainda aproveitadas como fonte de energia para caldeiras. A segunda tese que integra o projeto Utilização de Macroalgas para Recuperação de Efluentes Industriais Contaminados por Metais Pesados, financiado pelo Banco do Nordeste (R$ 12 mil) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia (R$ 13,5 mil), está sendo feita pela mestranda Maria das Graças Nunes.

 
 
 

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