QUÍMICA
Alga
limpa metal pesado de efluente
industrial As macroalgas,
conhecidas como sargaço, podem
ser utilizadas no tratamento de
efluentes industriais, para a
retirada de metais pesados. Duas
pesquisas do Departamento de
Engenharia Química da
Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) comprovam que
as macroalgas podem reter mais de
90% dos metais chumbo e cromo,
provenientes das indústrias de
galvanoplastia (tratamento de
metais), baterias e tintas, por
exemplo.
As macroalgas
constituem um conjunto de algas,
também chamadas de algas
arribadas. São aquelas que,
desprendidas de seu ambiente
natural, devido à força das
marés e período de maturação,
são depositadas na praia, em
processo de decomposição. O
sargaço, na verdade, representa
apenas um gênero, chamado de
Sargassum, das macroalgas,
conforme explica a professora
Valdinete Lins, que está
orientando as pesquisas sobre o
uso de macroalgas para
recuperação de efluentes
industriais com metais pesados.
"As algas que estão na
praia já não cumprem funções
vitais para o ecossistema
marinho", salienta
Valdinete.
De acordo com a
pesquisadora, os metais são
fixados na estrutura das
macroalgas. Isso acontece porque
as macroalgas apresentam em sua
superfície grupos funcionais com
átomos negativos (ânions), que
atraem os átomos positivos
(cátions), existentes no metais.
A partir do contato do efluente
industrial com a alga seca, foi
constatada a redução de 99% das
780 miligramas do metal cromo
presentes em um litro de efluente
industrial. No caso do chumbo, o
resultado foi a adsorção de 97%
das 30 miligramas por litro de
resíduo. O tempo de contato do
efluente com a macroalga pode
variar de duas a três horas,
dependendo das características
do resíduo.
Os testes em
laboratórios foram realizados
utilizando efluente industrial
sintético e, posteriormente,
dejetos de duas indústrias
pernambucanas que liberam, cada
uma delas, em seu processo
produtivo, os metais chumbo e
cromo. Foram estudados 12
gêneros de macroalgas
diferentes, coletadas na praia de
Itamaracá, informa Marta Maria
Menezes, que está terminando sua
tese de doutorado sobre a
remoção de chumbo com
macroalgas.
"Depois de
removido das macroalgas, explica
Valdinete Lins, os metais podem
servir, novamente, de
matéria-prima. As macroalgas
secas, quando saturadas, podem
ser ainda aproveitadas como fonte
de energia para caldeiras. A
segunda tese que integra o
projeto Utilização de
Macroalgas para Recuperação de
Efluentes Industriais
Contaminados por Metais Pesados,
financiado pelo Banco do Nordeste
(R$ 12 mil) e pela Fundação de
Amparo à Ciência e Tecnologia
(R$ 13,5 mil), está sendo feita
pela mestranda Maria das Graças
Nunes.