PACOTE
Ampliada
oferta de imóvel para baixa
rendaO Governo Federal editou
ontem uma medida provisória
regulamentando as novas regras de
funcionamento do Sistema
Financeiro da Habitação,
anunciadas na quarta-feira. Já
é possível, por exemplo,
escolher livremente a seguradora
com a qual será feito o seguro
do financiamento. Estão
pendentes ainda as alterações
no Programa de Carta de Crédito
Associativo com recursos do FGTS,
que devem ser aprovadas pelo
Conselho Curador do FGTS, que se
reunirá na próxima
terça-feira.
As mudanças da
Carta de Crédito devem estimular
a construção de novos imóveis,
principalmente para a população
de menor poder aquisitivo. A
principal alteração foi o
aumento do limite de renda do
mutuário deste programa de 12
salários mínimos, que valem R$
1.560, para 20 mínimos (R$
2.600). "A medida aumenta o
espectro de imóveis disponíveis
para o programa", afirma o
presidente da Associação de
Empresas do Mercado Imobiliário
(Ademi-PE), Armênio Ferreira
A secretária
de Política Urbana, Maria
Emília Rocha de Mello,
responsável pela elaboração
das novas regras, destaca a
transformação do programa em
"balcão", com a
agilização do atendimento dos
projetos apresentados, com
prioridade para baixa renda. A
expectativa é que a
contratação seja realizada em
até 30 dias, caso não haja
nenhuma pendência de documentos.
Os projetos
para o crédito associativo devem
apresentar uma demanda
caracterizada de 50%. Ou seja, o
empreendimento deve estar 50%
comercializado, para a
liberação do financiamento, que
é feito diretamente ao
mutuário. Os construtores são
contra a exigência, dizendo que
dificulta a venda. Mas o governo
frisa que assim o mutuário está
protegido.
O pacote inclui
também o aumento do valor a ser
financiado, que passa de R$
34.800 para R$ 43.400. Assim,
serão beneficiados os projetos
de regiões onde o custo de
produção seja mais alto, devido
ao preço do terreno e dos
principais insumos de
construção. "Isto acontece
especialmente nas regiões
metropolitanas e nas cidades
médias", explica Maria
Emília.
O Governo
Federal decidiu ainda baixar a
taxa de juros do financiamento
habitacional de 9% para 8%. A
medida já está valendo para os
contratos que não são regidos
pelo FGTS. Para os mutuários que
têm financiamento com recursos
do Fundo de Garantia, o Conselho
Curador deverá estabelecer um
sistema de descontos nas
prestações, fazendo com que os
mutuários já beneficiados por
uma taxa de juros inferior a 8%
não sejam prejudicados.
"Esta redução tem a longo
prazo uma repercussão boa no
financiamento", diz
Ferreira.
NOVO
FINANCIAMENTO - Permanecem
inalteradas as regras para a
Carta de Crédito com recursos
próprios da Caixa - cujo prazo
de concessão termina no próximo
dia 30. Também não foram
modificadas as normas de
funcionamento do Poupanção.
Ambos os programas são
destinados a camadas da
população de maior poder
aquisitivo. Será possível
também a liberação de
financiamento do SFH para quem
já possui imóvel.
O pacote criou
mecanismos que devem estimular a
entrada no mercado de novos
agentes financiadores. Um exemplo
é a adoção de reajustes de
financiamento diferentes dos
Planos de Equivalência Salarial
e de Comprometimento de Renda
disponíveis atualmente. A
liberação do prazo de
financiamento - que hoje pode ter
no máximo 30 anos - também vai
ajudar a aquecer o mercado. A
hipoteca deixará de ser a única
forma de garantia dos
financiamentos. Serão permitidas
a alienação fiduciária e a
hipoteca de imóveis de
terceiros.