ARTIGO
Os
"cartolas" da derrota
capitalistapor GETÚLIO DOS
SANTOS DOWSLEY*
O Brasil entrou
na Copa do Mundo chamada de
globalização. É uma
"guerra" mercadológica
de natureza capitalista contra
várias rivais estrangeiras. No
jogo capitalista, ganha quem faz
mais vendas, os "gols",
e os "prêmios" são os
lucros empresariais. Neste tipo
de peleja, o "juiz" é
o Estado. Os diretores das
empresas são os
"técnicos". As
"guerreiras" são as
empresas. A regulamentação do
mercado é a "regra" da
contenda. Nos países de economia
adjetivada de aberta o cenário
dos gládios é o mundo. Brasil!
Vamos vitoriar!
O Brasil
iniciou a abertura do mercado
doméstico na gestão econômica
do Governo Collor. Logo nas
preliminares, eis que surgiu uma
"falta" contra o
Brasil. Vejam que asneira: o
"cartola" mandou abrir
e retirar as barreiras
alfandegárias. Pudera, não
entende nada de Economia das
Empresas. A torcida apupa por
antever que vamos levar de
goleada. Não adiantou, pois a
"tática" imposta é
para jogar aberto. Os países
apologistas da globalização, no
íntimo, continuam na defensiva.
Onde o Brasil apresenta vantagens
comparativas, tais como no aço e
nos produtos agrícolas, eles
fazem retranca. Levianamente,
até acusam o Governo brasileiro
de estimular a prática de
dumping.
No outro tempo,
já era do Plano Real, entram os
novos "cartolas" e
estabelecem as
"bélicas" políticas
monetárias. Subestimam aos
adversários e oferecem a
vantagem da apreciação cambial.
As "traves" brasileiras
são ampliadas. Agora, quem
protesta são as
"atléticas" empresas
nacionais: acusam a criação
artificial de força vetorial
para favorecer às empresas do
resto do mundo. Não obstante,
vamos jogar com determinação.
"Pra
frente Brasil!" Lá vai a
redonda e... não é possível!
Surgiu um gol contra a
"baliza" nacional. Gol
de mão! Vaias... Foi a
entreguista "mão
anti-capitalista" que
protege as empresas
internacionais. No lado
"direito" ideológico,
as autoridades monetárias sofrem
de xenofilismo. Das práticas do
capitalismo o "juiz",
certamente, entende pouco. O
coitado, desavisadamente, estudou
no compêndio de capitulação.
Capitulante por xenofilia.
O time
verde-amarelo até que começou
bem e teve apio de sua
"torcida
desorganizada". Viva! Salve
a Pátria! Porém, as emprss
escorregaram nas "cascas de
banana" e passaram a tocar a
"bola" para todos os
lados vendo a "banda
cambial" passar. Ajuste nas
"traves",
definitivamente, nunca mais. É
"bananada"!
Surpreendentemente,
a copetição e o ímpeto da
ação retaliatória continuam
tenazes. É a garra nacional.
Êpa! O "juiz" colocou
"terra" na circulação
do ciclo operacional das empresas
nacionais: Taxa Básica média de
juros real de 22,12% aa. contra
2,84% dos EUA, conforme a
Conjuntura Econômica da FGV.
Assim, conjuntamente como desvio
cambial, é determinar que é
proibido produzir lucrativamente
e abrir os flancos do mercado
doméstico. É capitulação
compulsória. Vamos perder de
Wx0. Ressalto que as elevadas
taxas de juros desde o início do
Plano Real "decretam"
que são proibidos fluxos de
investimentos na Nação. Novas
emprseas e empregos são
raridades.
Por mais que as
empresas nacionais evidenciem
nacionalidade, é mister - para
não falir - que algumas
"jogadoras" sejam
vendidas para o capital externo.
Economicamente, os preços são
aviltados em função de tantas
"contusões". Mudança
de "camisa" e o jogo
capitalista continua, mesmo com
menor quantidade no quadro
titular nacional. Futuramente, as
transferências de dividendos
mmostrarão a fragilidade desta
política de desnacionalização.
O "juiz" por
doutrinamento neocapitalista
arrumou tamanha rendição do
capital nacional. Esta prática
é "pênalti" contra as
cores da Nação.
Lesa-pátria?!...
No domínio
internacional não tem jeito de
uma jogada ensaiada pela
"canarinha" ter
rseultado satisfatório. Falta
"estamina". A mais
forte ação governamental foi a
desoneração fiscal de elevados
custos. Entramos sempre em
"impedimento" por causa
do viés nos preços relativos.
Jamais, o "juiz"
ajustou o alinhamento cambial. As
exportações não têm dinâmica
suficiente para tornar o saldo da
balança de transações
correntes positivo. Até o
momento (janeiro-maio/98) levamos
uma goleada de US$ 11,2 bilhões.
Forçosamente,
a contrapartida são os fluxos de
financiamentos externos que
aumentam o "estoque" do
passivo externo. Juros e mais
juros são "queimados"
em comemorações da derrota
capitalista. É a festa do
"perde-ganha". Brasil!
Brasil! Bum! Bum! Olé! Olé!...
Chi! Noruega
2x1. Vai ter excedente de
bacalhau. O "juiz" não
muda as políticas monetárias.
Teve "peru"?
Povavelmente a economia nacional
teria a trajetória da
"cantiga da perua":
pior, pior, pior... "Cartão
Vermelho" para defasagem
cambial! Prorrogação
intempestiva não cabe mais no
jogo capitalista. Homessa!
*Getúlio
dos Santos Dowsley é economista
e consultor de empresas