- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

ARTIGO
Os "cartolas" da derrota capitalista

por GETÚLIO DOS SANTOS DOWSLEY*

O Brasil entrou na Copa do Mundo chamada de globalização. É uma "guerra" mercadológica de natureza capitalista contra várias rivais estrangeiras. No jogo capitalista, ganha quem faz mais vendas, os "gols", e os "prêmios" são os lucros empresariais. Neste tipo de peleja, o "juiz" é o Estado. Os diretores das empresas são os "técnicos". As "guerreiras" são as empresas. A regulamentação do mercado é a "regra" da contenda. Nos países de economia adjetivada de aberta o cenário dos gládios é o mundo. Brasil! Vamos vitoriar!

O Brasil iniciou a abertura do mercado doméstico na gestão econômica do Governo Collor. Logo nas preliminares, eis que surgiu uma "falta" contra o Brasil. Vejam que asneira: o "cartola" mandou abrir e retirar as barreiras alfandegárias. Pudera, não entende nada de Economia das Empresas. A torcida apupa por antever que vamos levar de goleada. Não adiantou, pois a "tática" imposta é para jogar aberto. Os países apologistas da globalização, no íntimo, continuam na defensiva. Onde o Brasil apresenta vantagens comparativas, tais como no aço e nos produtos agrícolas, eles fazem retranca. Levianamente, até acusam o Governo brasileiro de estimular a prática de dumping.

No outro tempo, já era do Plano Real, entram os novos "cartolas" e estabelecem as "bélicas" políticas monetárias. Subestimam aos adversários e oferecem a vantagem da apreciação cambial. As "traves" brasileiras são ampliadas. Agora, quem protesta são as "atléticas" empresas nacionais: acusam a criação artificial de força vetorial para favorecer às empresas do resto do mundo. Não obstante, vamos jogar com determinação.

"Pra frente Brasil!" Lá vai a redonda e... não é possível! Surgiu um gol contra a "baliza" nacional. Gol de mão! Vaias... Foi a entreguista "mão anti-capitalista" que protege as empresas internacionais. No lado "direito" ideológico, as autoridades monetárias sofrem de xenofilismo. Das práticas do capitalismo o "juiz", certamente, entende pouco. O coitado, desavisadamente, estudou no compêndio de capitulação. Capitulante por xenofilia.

O time verde-amarelo até que começou bem e teve apio de sua "torcida desorganizada". Viva! Salve a Pátria! Porém, as emprss escorregaram nas "cascas de banana" e passaram a tocar a "bola" para todos os lados vendo a "banda cambial" passar. Ajuste nas "traves", definitivamente, nunca mais. É "bananada"!

Surpreendentemente, a copetição e o ímpeto da ação retaliatória continuam tenazes. É a garra nacional. Êpa! O "juiz" colocou "terra" na circulação do ciclo operacional das empresas nacionais: Taxa Básica média de juros real de 22,12% aa. contra 2,84% dos EUA, conforme a Conjuntura Econômica da FGV. Assim, conjuntamente como desvio cambial, é determinar que é proibido produzir lucrativamente e abrir os flancos do mercado doméstico. É capitulação compulsória. Vamos perder de Wx0. Ressalto que as elevadas taxas de juros desde o início do Plano Real "decretam" que são proibidos fluxos de investimentos na Nação. Novas emprseas e empregos são raridades.

Por mais que as empresas nacionais evidenciem nacionalidade, é mister - para não falir - que algumas "jogadoras" sejam vendidas para o capital externo. Economicamente, os preços são aviltados em função de tantas "contusões". Mudança de "camisa" e o jogo capitalista continua, mesmo com menor quantidade no quadro titular nacional. Futuramente, as transferências de dividendos mmostrarão a fragilidade desta política de desnacionalização. O "juiz" por doutrinamento neocapitalista arrumou tamanha rendição do capital nacional. Esta prática é "pênalti" contra as cores da Nação. Lesa-pátria?!...

No domínio internacional não tem jeito de uma jogada ensaiada pela "canarinha" ter rseultado satisfatório. Falta "estamina". A mais forte ação governamental foi a desoneração fiscal de elevados custos. Entramos sempre em "impedimento" por causa do viés nos preços relativos. Jamais, o "juiz" ajustou o alinhamento cambial. As exportações não têm dinâmica suficiente para tornar o saldo da balança de transações correntes positivo. Até o momento (janeiro-maio/98) levamos uma goleada de US$ 11,2 bilhões.

Forçosamente, a contrapartida são os fluxos de financiamentos externos que aumentam o "estoque" do passivo externo. Juros e mais juros são "queimados" em comemorações da derrota capitalista. É a festa do "perde-ganha". Brasil! Brasil! Bum! Bum! Olé! Olé!...

Chi! Noruega 2x1. Vai ter excedente de bacalhau. O "juiz" não muda as políticas monetárias. Teve "peru"? Povavelmente a economia nacional teria a trajetória da "cantiga da perua": pior, pior, pior... "Cartão Vermelho" para defasagem cambial! Prorrogação intempestiva não cabe mais no jogo capitalista. Homessa!

*Getúlio dos Santos Dowsley é economista e consultor de empresas


     

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