- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

EXTENSÃO
Seguro-desemprego terá parcela-extra

BRASÍLIA - O governo aprovou a extensão do seguro-desemprego em mais uma parcela até o final do ano. Na prática, quem estiver recebendo a última parcela entre junho e novembro terá direito a uma parcela-extra. De acordo com o secretário de Políticas de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Jorge Jatobá, embora as taxas de desemprego estejam se revertendo, aumentou o tempo médio de procura por emprego.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tempo médio de procura por emprego na região metropolitana do Rio de Janeiro passou de 18 semanas e dois dias em abril de 1997 para 25 semanas e 5 dias em abril deste ano. Na região de São Paulo, este tempo passou de 18 semanas e nove dias para 23 semanas e quatro dias.

No início do ano, mesmo com o aumento destes números e do próprio desemprego, o governo resistiu um pouco até aceitar a extensão do seguro-desemprego, uma proposta da Central Única dos Trabalhadores (CUT). As mudanças no seguro são avaliadas pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) que reúne empresários, trabalhadores e governo. Agora, o governo üdeixou de lado a estratégia de analisar os números mês a mês e concordou com a extensão até o final do ano.

A alta taxa de desemprego é o maior entrave à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a avaliação de seu comando de campanha. Desde a constatação da queda da popularidade do presidente em pesquisas, o governo vem tomando uma série de medidas para tentar reverter o quadro. É a segunda vez neste ano que o governo amplia o pagamento de mais uma parcela do seguro. A primeira etapa foi de 1º de março a 31 de maio. O conselho já tinha aprovado, no final do ano passado, o pagamento de mais uma parcela para o período de dezembro de 97 a fevereiro deste ano.

O número de parcelas do seguro-desemprego varia entre 3 e 5, dependendo do tempo trabalhado. Têm direito ao seguro, os trabalhadores que ficaram empregados por pelo menos seis meses nos últimos 36 meses e foram demitidos sem justa causa. A parcela extra, porém, valerá apenas para 11 regiões metropolitanas: Distrito Federal, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Vitória.

BENEFICIADOS - Segundo o Ministério do Trabalho, 1,05 milhão de pessoas serão beneficiadas pela parcela extra que custará R$ 214 milhões ao Fundo de Amparo ao Trabalhador. O seguro-desemprego equivale, em média, a um salário mínimo e meio. Jatobá disse que, na semana que vem, o Codefat deverá aprovar a destinação de R$ 12,6 milhões do FAT para a criação de Agências de Trabalho e Renda na Comunidade, um dos itens do pacote contra o desemprego que será anunciado pelo ministro do Trabalho, Edward Amadeo.

Estas agências reunirão os programas do Ministério do Trabalho e do Ministério do Planejamento em comunidades carentes pré-selecionadas.


     

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