PRIVATIZAÇÃO
STF
nega liminar contra TelebrásBRASÍLIA - O
Supremo Tribunal Federal negou
ontem, por unanimidade, o pedido
de liminar do Partido dos
Trabalhadores (PT) em ação de
inconstitucionalidade destinada a
evitar a cisão da Telebrás em
12 empresas, que a sucederão no
controle do sistema de
telecomunicações federal. O
relator da matéria, ministro
Carlos Velloso, cujo voto foi
seguido, sem comentários, por
todos os ministros presentes,
considerou sem consistência a
alegação do PT de que, pelo
art. 37, inciso 19 da
Constituição, "somente por
lei específica poderão ser
criadas empresa pública,
sociedade de economia mista ou
autarquia".
Para o Supremo,
a lei específica é a Lei Geral
das Telecomunicações (Lei
9.472), que autoriza o Executivo
a adotar medidas para
reestruturar suas empresas, por
cisão (que é o caso), fusão ou
incorporação. "Não se
trata - disse Velloso em seu voto
- de serem elaboradas 12 leis
específicas. A lei específica -
regulamentada pelo decreto
2.564/98, que permitiu a cisão
do Sistema Telebrás em 12
empresas - já existe, aprovada
pelo Congresso e sancionada pelo
presidente da República".
Anteontem à noite, o PT havia
entrado com um pedido de
desistência da ação de
inconstitucionalidade. O pedido
foi preliminarmente apreciado
pelo plenário do STF, que o
indeferiu por ser
"inconcebível".
Enquanto isso,
o presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), ministro
Antônio de Pádua Ribeiro,
enviou ontem ao Ministério
Público, para parecer da
Subprocuradoria-Geral da
República, o pedido da União de
suspensão da decisão do
Tribunal Regional Federal de São
Paulo que, por 10 votos a 4,
anulou a assembléia-geral da
Telebrás, realizada no dia 22 de
maio, e que aprovou a cisão da
empresa em 12 holdings.
Só depois do
pronunciamento do Ministério
Público - que não tem prazo
determinado - é que o ministro
Pádua Ribeiro vai dar a palavra
final sobre o pedido de
suspensão da decisão do TRF
paulista. O leilão de venda da
Telebrás está marcado para 29
de julho.
ESPELHOS -
A Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel)
reduziu as exigências que serão
impostas às empresas que
participarem da licitação dos
"espelhos" da
Telebrás, que serão criados
para competir com a estatal após
sua privatização. O objetivo,
segundo o conselheiro da ANP,
José Leite Pereira Filho, é
aumentar o número de
participantes na disputa. As
empresas interessadas em competir
com a Telebrás privatizado
terão de comprovar estar
operando 500 mil terminais fixos
ou móveis. Anteriormente, essa
exigência era de 1,5 milhão de
terminais. A Anatel também
decidiu que não fixará preço
mínimo para essas
autorizações.