- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

COMÉRCIO
Grandelar deve R$ 5 mi aos fornecedores

por HELIANE ROSENTHAL

A rede de lojas Grandelar é mais uma empresa do setor de eletrodomésticos a entrar na lista das empresas que pediram concordata preventiva. A solicitação foi feita na última sexta-feira, dia 19, e ainda não foi julgada. Mais uma vez a queda no faturamento, a inadimplência e os juros altos são as principais causas para o pedido. Mas, nesse caso, um novo personagem surge nessa história: o descrédito provocado pelas outras concordatas solicitadas por empresas do setor, que está fazendo com que alguns fornecedores se neguem a renegociar as dívidas.

De acordo com o empresário Maurício Giacoman, proprietário da empresa, o montante das dívidas informado no pedido chega a R$ 5 milhões, sendo que existem outros débitos que ficaram de fora da concordata e que representam 20% desse total. Entre os credores listados, o maior deles é a Multibrás, que tem R$ 1 milhão a receber. Do restante dos créditos nenhum supera R$ 400 mil, segundo a empresa. Por outro lado, o empresário garante que todo o patrimônio da empresa, inclusive o estoque, soma R$ 5,5 milhões.

Criada em 1993, atualmente a Grandelar é composta por 13 lojas, sendo 12 no Recife e uma em Caruaru, além de 150 funcionários. Segundo Giacoman, a queda no faturamento ocorrido no segundo semestre de 97 foi o principal motivo que o levou ao pedido de concordata. Ele explica que a situação se agravou depois do Dia das Mães, quando as vendas caíram 50%. Aliado a isso, a alta inadimplência também vinha prejudicando os negócios da empresa. "Todo nosso lucro é engolido pela inadimplência", desabafou Giacoman, sem saber até como calcular essa variável. Os dados da Serasa, por exemplo, informam que, nacionalmente, o volume de títulos protestados de janeiro a maio deste ano cresceu 5,1% em relação ao mesmo período de 97, e que o aumento da inadimplência de pessoas físicas aumentou 29,8%.

Na hora de tentar renegociar as dívidas, o empresário acabou esbarrando em alguns fornecedores que, ou aplicavam juros muito altos, ou se negavam a oferecer novos prazos. Para o empresário, o mercado nordestino já vinha sendo desacreditado e o problema se agravou com a concordata da Arapuã. "Em alguns casos não havia espaço para negociarmos um débito de R$ 400 mil, quando o fornecedor estava tendo um prejuízo de R$ 4 milhões".

Apesar de ter pedido dois anos para encerrar a concordata, o empresário espera começar os pagamentos já em agosto e liquidar todos os débitos em um ano. Sobre a reestruturação, ele afirma que vinha operando com uma máquina enxuta e capitalizada, o que lhe permitiu evitar os problemas até agora, enquanto as outras redes partiram para concordata no início deste ano.

No entanto, a Grandelar deverá passar por um processo de diversificação, passando a vender também móveis, nas lojas de bairro, e informática, na filial do Shopping Tacaruna. Com isso, a rede pretende buscar novos mercados. O proprietário explica que existe a possibilidade de fechar apenas uma das lojas, por ela não estar apresentando bons resultados, e remanejar os seus funcionários.


     

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