COMÉRCIO
Grandelar
deve R$ 5 mi aos fornecedorespor HELIANE ROSENTHAL
A rede de lojas
Grandelar é mais uma empresa do
setor de eletrodomésticos a
entrar na lista das empresas que
pediram concordata preventiva. A
solicitação foi feita na
última sexta-feira, dia 19, e
ainda não foi julgada. Mais uma
vez a queda no faturamento, a
inadimplência e os juros altos
são as principais causas para o
pedido. Mas, nesse caso, um novo
personagem surge nessa história:
o descrédito provocado pelas
outras concordatas solicitadas
por empresas do setor, que está
fazendo com que alguns
fornecedores se neguem a
renegociar as dívidas.
De acordo com o
empresário Maurício Giacoman,
proprietário da empresa, o
montante das dívidas informado
no pedido chega a R$ 5 milhões,
sendo que existem outros débitos
que ficaram de fora da concordata
e que representam 20% desse
total. Entre os credores
listados, o maior deles é a
Multibrás, que tem R$ 1 milhão
a receber. Do restante dos
créditos nenhum supera R$ 400
mil, segundo a empresa. Por outro
lado, o empresário garante que
todo o patrimônio da empresa,
inclusive o estoque, soma R$ 5,5
milhões.
Criada em 1993,
atualmente a Grandelar é
composta por 13 lojas, sendo 12
no Recife e uma em Caruaru, além
de 150 funcionários. Segundo
Giacoman, a queda no faturamento
ocorrido no segundo semestre de
97 foi o principal motivo que o
levou ao pedido de concordata.
Ele explica que a situação se
agravou depois do Dia das Mães,
quando as vendas caíram 50%.
Aliado a isso, a alta
inadimplência também vinha
prejudicando os negócios da
empresa. "Todo nosso lucro
é engolido pela
inadimplência", desabafou
Giacoman, sem saber até como
calcular essa variável. Os dados
da Serasa, por exemplo, informam
que, nacionalmente, o volume de
títulos protestados de janeiro a
maio deste ano cresceu 5,1% em
relação ao mesmo período de
97, e que o aumento da
inadimplência de pessoas
físicas aumentou 29,8%.
Na hora de
tentar renegociar as dívidas, o
empresário acabou esbarrando em
alguns fornecedores que, ou
aplicavam juros muito altos, ou
se negavam a oferecer novos
prazos. Para o empresário, o
mercado nordestino já vinha
sendo desacreditado e o problema
se agravou com a concordata da
Arapuã. "Em alguns casos
não havia espaço para
negociarmos um débito de R$ 400
mil, quando o fornecedor estava
tendo um prejuízo de R$ 4
milhões".
Apesar de ter
pedido dois anos para encerrar a
concordata, o empresário espera
começar os pagamentos já em
agosto e liquidar todos os
débitos em um ano. Sobre a
reestruturação, ele afirma que
vinha operando com uma máquina
enxuta e capitalizada, o que lhe
permitiu evitar os problemas até
agora, enquanto as outras redes
partiram para concordata no
início deste ano.
No entanto, a
Grandelar deverá passar por um
processo de diversificação,
passando a vender também
móveis, nas lojas de bairro, e
informática, na filial do
Shopping Tacaruna. Com isso, a
rede pretende buscar novos
mercados. O proprietário explica
que existe a possibilidade de
fechar apenas uma das lojas, por
ela não estar apresentando bons
resultados, e remanejar os seus
funcionários.