- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

HORA DA VERDADE
Haja roupa suja para lavar!

A Seleção Brasileira lavou mais uma vez a roupa suja. A reunião aconteceu quarta-feira à noite no Castelo La Grande Romanine. Zagalo chamou os jogadores e deu uma dura geral. O desleixo no final do jogo contra a Noruega foi o ponto de partida para juntar os cacos de Marselha e reunir forças para a partida de sábado contra o Chile, em Paris, pelas oitavas-de-final da Copa da França. Como castigo, o técnico chegou a passar o video-teipe da partida, mostrando os erros cometidos contra a Noruega. Para quem não aprendeu a lição, era o momento de rever as falhas. "Foi a hora de resolver todos os nossos problemas, disse o zagueiro Aldair. "Colocamos no lugar as coisas que estavam fora de ordem nos últimos dias".

A falta de empenho contra a Noruega foi o que mais irritou o técnico. Desta forma, ele procurou mostrar que a Seleção não vai ganhar o Mundial se os jogadores não se esforçarem ao máximo durante toda a partida. Foi então que o capitão Dunga falou à nova geração "a dor da derrota em 90". O fracasso na Itália e o tetra dos EUA foram lembrados como exemplos de fracasso e sucesso.

A aparente quebra da frágil união adquirida após as duas primeiras vitórias na França também foi discutida. As críticas de Ronaldinho ao esquema e de Rivaldo ao fato de ter jogado fora de posição renderam aos dois um puxão de orelhas. Zagalo reafirmou que a Seleção precisa jogar em conjunto, com cada um procurando ajudar o companheiro, e não pensando apenas em si. Foi a hora de deixar a vaidade e o individualismo de lado. "É em momentos como esse que um time se reforça para alcançar os seus objetivos. Um resultado negativo sempre acarreta consequências", disse o meia Leonardo.

Como o técnico já havia dito, a derrota para a Noruega serviu mesmo como lição. O momento acabou sendo considerado pela comissão técnica como ideal, para baixar a bola de um time que já se achava no ponto ideal após as vitórias contra Escócia e Marrocos. Se houve um lado positivo no resultado em Marselha, segundo Zagalo contou aos jogadores, foi o de ter cortado o salto alto e o excesso de otimismo dos jogadores.

Mais do que nunca, Zagalo acredita que a derrota chegou num momento oportuno, onde a Seleção já estava classificada e, a rigor, nada tinha a perder. A ordem dada pelo treinador foi a de recuperar o espírito demonstrado na partida contra o Marrocos, considerada até aqui a melhor da Seleção na Copa. Com os jogadores "mordidos", Zagalo espera que eles possam descontar no Chile tudo o de errado que fizeram contra a Noruega.


     

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