- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

ARTIGO
Os franceses também disseram

por HAROLDO PRAÇA*

Os fracesses também disseram que o maior adversário da Seleção Brasileira de futebol, era o jornalismo (escrito e falado) desta nossa terra.

Pela ausência de capacidade, criatividade, inteligência e amor ao torrão em que nasceram (ou vivem), fazem "misérias"! Mentem, inflamam, criam fofocas e semeiam discórdia; e "torcem" cinicamente para incluir (ou manter) no selecionando o perna-de-pau que um dia vestiu (ou veste) o uniforme do clube da sua simpatia. Ao invés de honrar a profissão e de fazer jus ao salário que recebe - informando, comentando coisas do esporte-rei; apoiando e incentivando o grupo de atletas e os brasileiros menos informados a respeito de uma competição tão importante, descem ao lamaçal da pouca vergonha e divulgam briga no noivado de Ronaldinho; beijos de Denílson, Gonçalves e Júnior Baiano em noiva, esposa e "encosto", faltando muito pouco para registrar compra de "camisinhas" e "modess"!...Nada constroem, não somam nada!.

Desconhecíamos essa molecagem em torno da seleção do Brasil, até que, em excursão por seis países europeus - acompanhando a "Canarinha Cobaia" de 1956 -, presenciamos a disputa ferrenha entre cariocas e paulistas, cada qual desejando escalar todos os pebolistas do Rio ou de São Paulo... E o mais lamentável: prosseguiam na cachorrada - após duelo entre os dois estados -, no incontrolável desejo de vestir com a camiseta verde-amarelo, o time do Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo ou o Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos...

Aqui, os tupiniquins desejam ser papel-carbono e ficam perdidos na grandeza do país-sede do evento, na maratona da Copa do Mundo e aumentam o pelotão dos que, ao contrário de jornalistas, locutores e comentaristas, deveriam escolher, treinar, escalar (ou jogar...) nos diversos campos do mundo!

A modernidade - salvo melhor juízo - está piorando a trajetória do esporte-rei. Agora, os apelidados de cundutores de massa, vivem sistematicamente em impedimento; cometendo penalidades máximas; chutando por cima e pelos lados do gol... e ameaçados de cartão vermelho!

Nosso cérebro está queimando, nosso coração batendo tão forte quanto os limites da existência permitem, patriótica e esportivamente, desejamos que o Brasil conquiste mais uma Copa do Mundo, a derradeira do século! Mas, se perdê-la, damos este acróstico-epitáfio para o time de "escreventes" e "gritadores de microfones" que lograram derrotar os desejos, anseios e sonhos da gente brasileira:

Brasil
Recolhe
Abatido
Seleção
Imprensa
Lambuzou

* Haroldo Praça é jornalista


     

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