- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

INOCENTE
TV mostra que Júnior Baiano fez pênalti e juiz agiu corretamente

PARIS - O árbitro norte-americano Esfandir Baharmast estava certo. O zagueiro Júnior Baiano puxou realmente a camisa do norueguês Tore Andre Flo e cometeu pênalti, como mostra a foto ao lado tirada de uma emissora de televisão. A imagem que acaba com qualquer dúvida foi divulgada por uma equipe de reportagem de uma tevê sueco, que estava atrás do gol do Brasil, que perdeu por 2x1.

O presidente de Comissão de Arbitragem da Fifa, David Will, embora não faça análises individuais dos árbitros, comentou ontem: "O árbitro, de seu ângulo, viu e apitou, de acordo. Alguns podem ver a televisão e fotografias. Mas o árbitro tem que decidir no momento, numa fração de segundo, de acordo com o que vê", afirmou.

Para David Will o desempenho dos juízes na Copa da França é altamente satisfatório, inclusive superior ao da Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos, passando longe das críticas que vêm recebendo as arbitragens. Segundo ele, o órgão, na avaliação feita, chegou a 8,3 pontos, numa escala de dez.

MUITA POLÊMICA - Mas não parece ser bem assim. Há muita gente reclamando. Os erros têm sido flagrantes e sucessivos ao ponto de, ainda na primeira fase, o presidente eleito da Fifa, Joseph Blatter, ter sido obrigado a fazer duas advertências públicas à atuação dos juízes. A primeira foi feita, logo depois da primeira rodada, quando reclamou que os árbitros estavam sendo condescendentes com a violência. Em seguida deu um puxão de orelhas, dizendo que eles fechavam os olhos à demora com que os goleiros recolocavam a bola em jogo.

"Parece que eles se esqueceram que entrada perigosa por trás merece cartão vermelho e que os goleiros não podem ficar com a bola nas mãos por mais de seis segundos", disse Blatter. A partir daí foi uma sucessão de expulsões e cartões amarelos, ao ponto de as seleções reclamarem de excesso de rigor. Os árbitros são acusados de terem influenciado diretamente no resultado de sete partidas até aqui.

As reclamações mais veementes foram feitas anteontem, depois da eliminação da Camarões e Marrocos. A Rádio Nacional da Nigéria classificou a eliminação de Camarões como uma "espoliação". Para os nigerianos, a África foi "desconsiderada, desacreditada e tratada de maneira vulgar". Referia-se também à eliminação de Marrocos. Eles entenderam que não existiu o pênalti marcado contra o Brasil - a imagem divulgada 24 horas depois do jogo acabou com todas as dúvidas - e que garantiu a classificação da Noruega.

Os erros começaram logo na primeira rodada, na partida entre Chile e Itália. O árbitro nigeriano Lucien Bouchardeau marcou pênalti, depois que um chute de Roberto Baggio bateu no braço do zagueiro Fuentes, do Chile, dentro da área. A Itália perdia por 2x1 e empatou o jogo.

As arbitragens igualmente foram muito contestadas nas partidas entre Dinamarca e África do Sul, Bélgica e México e África do Sul e Arábia Saudita. Todos eles por causa de penalidades. Nesta última foram marcados três pênaltis. Nenhum deles ficou plenamente caracterizado.

 
     

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