CASAMENTO
Eles
ainda dizem simpor FABIANA MORAES
Não adianta.
Por mais que se discuta,
discorde, odeie ou simplesmente
ignore, a maioria das pessoas
ainda diz sim para o casamento.
Da maneira mais tradicional até
a mais inusitada forma de união,
juntar as escovas e dividir a
cama é ainda um dos sonhos
íntimos da maioria dos seres
humanos, que começam a ver o
assunto de maneira menos
combativa e de certa forma mais
"negociável". Hoje, o
que realmente importa para os
casais é a plena convivência, a
amizade, o sexo e, para usar o
clichê preferido de todos eles,
"um bom diálogo".
"O
casamento ainda é o nível
máximo de realização de todo
homem e de toda mulher",
opina o padre Reginaldo Veloso,
casado há quatro anos com a
professora Edileuza Veloso. Ele,
um religioso 30 anos mais velho
que sua mulher e duramente
criticado pelo arcebispo de
Olinda e Recife, Dom José
Cardoso Sobrinho, conta que sua
união se solidifica e se torna
mais intensa a cada ano.
"Brigamos pouco e cada vez
menos, mas sabemos que a
convivência exige muito de todo
o casal", diz o padre,
lembrando que muitas pessoas
podem alcançar a felicidade
plena sem ter que necessariamente
se casar. "Apenas acho que
uma união torna duas pessoas
mais ricas".
Um dos
principais vilões modernos do
casamento é, pasmem, a mídia.
De acordo com a psicoterapeuta
Amparo Caridade, "a
sociedade do espetáculo",
como ela denomina o meio social,
simplesmente descarta os valores
mais sólidos da convivência em
nome de uma felicidade mais
rápida e fugaz. "Somos cada
vez mais pobres de valores,
vivemos passivamente, consumindo
imagens, nos consolando com
imagens. Tudo isso mantém o
indivíduo na periferia dos
sentimentos", diz Amparo.
A especialista
conta que a maioria dos casais
que a procuram para tratamento
queixam-se de desencanto, mas
admitem querer retomar a vida de
casado, sempre buscando a paixão
inicial. "Existem dois
estágios nessa relação: o pré
e o pós juntar escovas. É
preciso vivenciar o real de cada
um, e estar preparado para o
maravilhoso e para o
insuportável", ensina. O
frei Aloísio Fragoso, da Igreja
e Convento de São Francisco, faz
coro com Amparo e critica a
desenfreada busca do prazer dos
casais atuais. "Esse
hedonismo é hoje um objetivo de
vida. As pessoas acham que,
quando o prazer acaba, o amor
também acabou", diz o frei.
Apesar de
criticado, o tal prazer é um dos
pilares de casamentos como o de
Elisabeth Bauchwitz, 34 anos, e
José Agostinho Filho, de 36
anos. "Saímos todos os
dias. Às vezes vamos apenas
entregar uma fita na locadora e
terminamos sentando num barzinho
para tomar chope e
conversar", conta Agostinho.
O casamento dos dois, realizado
em março deste ano, foi
celebrado por uma sacerdotisa na
praia da Pipa, em Natal.
"Era nosso terceiro
casamento. Queríamos que fosse
diferente, bonito, com boas
energias", diz Elizabeth. Os
dois nunca se casaram na igreja,
classificada como omissa por
Agostinho. "O Deus dele se
preocupa muito consigo mesmo e
pouco com os homens.
Sinceramente, Ele não me impõe
respeito".
LAVOU, TÁ
NOVO - Outro detalhe
interessante na união do casal
é a não crença na máxima do
"que dure para sempre".
"Eu não acredito nessa
história de uma união eterna,
acho que a mudança de parceiros
dá mais condições para que
possamos encontrar a pessoa
certa", diz ele, como bom
espírita. Elisabeth conta que é
adepta do "que seja eterno
enquanto dure", e faz
questão de lembrar que, durante
a cerimônia de seu casamento,
nenhuma promessa foi feita.
"Nós apenas nos prometemos
sinceridade, e toda semana
conversamos sobre o nosso
casamento".
Entre Patrícia
Souza, 29 anos, e Leonardo de
Albuquerque, 25, a promesa de
união eterna, feita em frente a
um padre da Igreja Católica, é
mais uma forma de fortalecer a
relação dos dois. "Vou dar
tudo de mim para que seja eterna.
Acreditamos profundamente nisso
na hora de dizer o sim",
fala Patrícia. No item
traição, os dois casais são
bastante díspares: enquanto
Elizabeth e Agostinho afirmam
não admitir nenhuma forma de
infidelidade, Patrícia e
Leonardo acenam com a
possibilidade de, no mínimo, uma
conversa sobre o assunto.
"Nunca
passei por isso, acho que não
saberia como agir. Mas, se
acontecesse, teríamos que
conversar. Ia doer e machucar
muito, mas nossa relação é bem
maior do que isso", diz a
arquiteta Patrícia. Leonardo,
por sua vez, crê que não
conseguiria remediar uma
situação deste tipo. "A
questão da confiança é muito
forte, acho que não ia agüentar
passar por isso. Não iria mais
ter paz".