- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 21 de junho de 1998

CASAMENTO II
Véus e buquês também nos cartórios

Quinta-feira, 28 de maio de 1998. Vestida de noiva, Josélia Batista, 20 anos, aguarda a juíza Paula Malta falar com todos os 22 casais presentes no 1º Tribunal do Júri do Forum Tomaz de Aquino, no centro do Recife. Num calor imenso, agravado pelo vestido longo, ela espera a vez para dizer o "sim" ao seu futuro esposo, Jorge Virgínio Soares, de apenas 19 anos. O clima de ansiedade é quebrado quando a juíza chama um dos casais e o noivo diz "sim". "Mas onde está a noiva?", pergunta a juíza. "Ela teve que ir ao banheiro", diz o rapaz. Todos riem, e a juíza explica que não pode celebar a união sem a presença da noiva, que chega logo depois.

Para muitos casais, o casamento civil é a única cerimônia que vai autenticar a união. Nos corredores dos cartórios, é comum ver as mulheres vestidas de noiva, carregando buquês, véus e todos os frufus que têm direito, enquanto amigos e parentes choram de emoção. Tanto a família de Josélia quanto a família de Jorge, por exemplo, compareceram ao tribunal para homenagear o casal, e ainda prepararam uma festa na casa da noiva para depois da cerimônia.

Também vestida de noiva, Janaína Cavalcante, 19 anos, posa junto ao noivo, Jesiel Severino, para diversas fotos, logo após aceitarem-se como marido e mulher perante a juíza. Perguntado sobre a sua idade, Jesiel franze a testa e procura se lembrar da data. "Você tem 25 anos", lembra a noiva, que diz nunca ter sonhado em casar numa igreja lotada de pessoas e flores. "Espero apenas ser feliz", diz Janaína, que este ano vai prestar vestibular para veterinária. Para Jesiel, o casamento vai trazer maior liberdade. "Eu a amo muito, faz um ano que estamos juntos e nunca brigamos. Nem vamos brigar", aposta.

ALÉM DOS PAPÉIS - Para a juíza substituta Paula Malta, que casa em média 20 casais por semana, todo magistrado deve alertar os casais sobre a importância do casamento durante a celebração civil. "É importante lembrar às pessoas que tudo aquilo é muito sério, não são apenas papéis que estão sendo assinados. É a vida delas que está sendo comprometida", diz a juíza, lembrando que já chegou a casar um par que, após a cerimônia, nem saiu junto do cartório. "Ela foi pra um lado e ele para o outro. Fiquei muito decepcionada", revela.

Diferente de muitos juízes, que limitam-se a proferir apenas as palavras jurídicas durante a união legal, Paula conversa com todos os noivos e noivas, fala sobre a instituição casamento e suas implicações, num sermão bastante parecido com o dos padres. "Não gosto de falar pouco, acho que é papel do juiz alertar as pessoas. Muitas delas casam apenas aqui no tribunal, vêm vestidas de noivas, trazem seus buquês. Temos que valorizar isso", completa. (F.M.)


     

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