CASAMENTO
V
Uma
prova de que pode dar certopor DÉBORA
NASCIMENTO
Enquanto muitos
casais estão convivendo com
crises e brigas, alguns
encontraram a saída para os
problemas familiares: a troca de
experiências. Eles são os
participantes do Movimento
Famílias Novas, um dos setores
do Movimento Focolares. O grupo
foi criado em 1967 pela italiana
Chiara Lubich que, em plena
Segunda Guerra Mundial, pensou
numa maneira de interagir com
outras famílias. A intenção da
fundadora foi unir parentes e
amigos em torno de um só
objetivo: a partilha dos
problemas e de suas soluções,
através da fé e da
solidariedade.
"Ao
contrário do que se pode
imaginar, eles não fazem parte
de uma religião específica, mas
de um grupo ecumênico. São
católicos, protestantes,
budistas, que pertencem a cerca
de 182 países, sendo 20 mil
participantes no Brasil e dois
mil em Pernambuco. Todos eles
freqüentam reuniões, nas quais
dividem suas histórias de vida e
suas funções na comunidade.
"O
resultado de tudo isto são
colaborações de extrema
importância. No final do ano
passado, o grupo reuniu-se em
torno de um dos participantes que
estava com câncer no cérebro.
"Nós organizamos uma festa
com o objetivo de arrecadar
dinheiro para que ele pudesse
viajar e fazer seu
tratamento", conta a
advogada Terezinha Beltrão. Ela,
junto com seu marido, o professor
de matemática Gaud Barros, está
há quase vinte anos no
movimento. Seus dois filhos
também participam do grupo.
Segundo eles, a
solidariedade praticada por esses
casais é também a herança para
seus filhos. "Nós não
podemos dizer a nossos filhos que
hajam de determinada forma. É
preciso que eles vejam o exemplo
nos pais", avalia a
professora Fátima Marinho. Seu
marido, Ricardo, concorda:
"A base de uma família
feliz é a democracia. Se você a
prega fora de sua casa e não
pratica dentro dela não
adianta".
Para eles, a
freqüente separação entre os
casais se deve à essa falta de
democracia, que é representada
pela ausência do diálogo.
"Os casais estão buscando
uma satisfação pessoal, em
detrimento da família. Há muito
individualismo. E com isso você
não constrói nada. É preciso
ceder muitas vezes, e ficar feliz
com o fato de fazer a outra
pessoa feliz", garante o
engenheiro Roberto Nen.
Estatisticamente,
o número de divórcios de
participantes do movimento não
ultrapassa 1%. Qual o segredo?.
"Não deixamos de ter
problemas semelhantes aos outros
casais. A diferença é que nós
sabemos enfrentá-los
melhor", afirma Roberto. O
exemplo está no casal Fátima e
Ricardo Marinho. "Nós
podemos dizer tudo o que
pensamos. Depois a gente vê o
que é melhor para os dois",
contam.
Com isto, eles
criaram um estilo de vida
singular. "Além de
partilharmos nossa experiência
enquanto casais, partilhamos
nossos bens com os outros. Por
exemplo, doamos livros, roupas e
sapatos que ainda estão em boas
condições e não servem mais
para nossos filhos. Se houver
alguém desempregado, tentamos
conseguir, no nosso círculo de
amizade, um emprego para essa
pessoa", conta Terezinha.
Dentre as
ações desenvolvidas pelos
focolares está o trabalho no
Centro de Ajuda aos Drogados, que
funciona em Garanhuns e atende
viciados de todo o estado. Outro
serviço é o de adoção à
distância, no qual é feita uma
contribuição mensal à criança
ou adolescente assistido.
Atualmente são 350 crianças
beneficiadas, que vivem na
Associação de Apoio à Criança
e ao Adolescente.
Também em
situações drásticas, como
conflitos entre países, o
movimento - que foi criado num
contexto de guerra - mobiliza-se
para ajudar os seus partipantes.
"Famílias italianas
acolheram famílias bósnias
durante a guerra. Muitas daquelas
pessoas estavam abaladas
psicologicamente e esse gesto foi
fundamental para a retomada de
suas vidas", conta a
nutricionista Maria do Carmo Nen.
Em relação ao
atual individualismo das
famílias brasileiras, eles
garantem: "A gente não acha
nossa família bonitinha,
enquanto outras família estão
desmoronando. Por isso fazemos
questão de partilhar", diz
Maria do Carmo. "Nós temos
que aceitar a diferença do
outro. Nossa intensão é fazer
ao outro aquilo que gostaríamos
que fizessem por nós",
conclui o professor Ricardo
Marinho.
Serviço
Movimento
Famílias Novas, dos Focolares
Tel.: (081)
241.3898/427.9681/445.4930
Associação de Apoio à Criança
e ao Adolescente
(Sistema de adoção à
distância): 427.4501