- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 21 de junho de 1998

CASAMENTO V
Uma prova de que pode dar certo

por DÉBORA NASCIMENTO

Enquanto muitos casais estão convivendo com crises e brigas, alguns encontraram a saída para os problemas familiares: a troca de experiências. Eles são os participantes do Movimento Famílias Novas, um dos setores do Movimento Focolares. O grupo foi criado em 1967 pela italiana Chiara Lubich que, em plena Segunda Guerra Mundial, pensou numa maneira de interagir com outras famílias. A intenção da fundadora foi unir parentes e amigos em torno de um só objetivo: a partilha dos problemas e de suas soluções, através da fé e da solidariedade.

"Ao contrário do que se pode imaginar, eles não fazem parte de uma religião específica, mas de um grupo ecumênico. São católicos, protestantes, budistas, que pertencem a cerca de 182 países, sendo 20 mil participantes no Brasil e dois mil em Pernambuco. Todos eles freqüentam reuniões, nas quais dividem suas histórias de vida e suas funções na comunidade.

"O resultado de tudo isto são colaborações de extrema importância. No final do ano passado, o grupo reuniu-se em torno de um dos participantes que estava com câncer no cérebro. "Nós organizamos uma festa com o objetivo de arrecadar dinheiro para que ele pudesse viajar e fazer seu tratamento", conta a advogada Terezinha Beltrão. Ela, junto com seu marido, o professor de matemática Gaud Barros, está há quase vinte anos no movimento. Seus dois filhos também participam do grupo.

Segundo eles, a solidariedade praticada por esses casais é também a herança para seus filhos. "Nós não podemos dizer a nossos filhos que hajam de determinada forma. É preciso que eles vejam o exemplo nos pais", avalia a professora Fátima Marinho. Seu marido, Ricardo, concorda: "A base de uma família feliz é a democracia. Se você a prega fora de sua casa e não pratica dentro dela não adianta".

Para eles, a freqüente separação entre os casais se deve à essa falta de democracia, que é representada pela ausência do diálogo. "Os casais estão buscando uma satisfação pessoal, em detrimento da família. Há muito individualismo. E com isso você não constrói nada. É preciso ceder muitas vezes, e ficar feliz com o fato de fazer a outra pessoa feliz", garante o engenheiro Roberto Nen.

Estatisticamente, o número de divórcios de participantes do movimento não ultrapassa 1%. Qual o segredo?. "Não deixamos de ter problemas semelhantes aos outros casais. A diferença é que nós sabemos enfrentá-los melhor", afirma Roberto. O exemplo está no casal Fátima e Ricardo Marinho. "Nós podemos dizer tudo o que pensamos. Depois a gente vê o que é melhor para os dois", contam.

Com isto, eles criaram um estilo de vida singular. "Além de partilharmos nossa experiência enquanto casais, partilhamos nossos bens com os outros. Por exemplo, doamos livros, roupas e sapatos que ainda estão em boas condições e não servem mais para nossos filhos. Se houver alguém desempregado, tentamos conseguir, no nosso círculo de amizade, um emprego para essa pessoa", conta Terezinha.

Dentre as ações desenvolvidas pelos focolares está o trabalho no Centro de Ajuda aos Drogados, que funciona em Garanhuns e atende viciados de todo o estado. Outro serviço é o de adoção à distância, no qual é feita uma contribuição mensal à criança ou adolescente assistido. Atualmente são 350 crianças beneficiadas, que vivem na Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente.

Também em situações drásticas, como conflitos entre países, o movimento - que foi criado num contexto de guerra - mobiliza-se para ajudar os seus partipantes. "Famílias italianas acolheram famílias bósnias durante a guerra. Muitas daquelas pessoas estavam abaladas psicologicamente e esse gesto foi fundamental para a retomada de suas vidas", conta a nutricionista Maria do Carmo Nen.

Em relação ao atual individualismo das famílias brasileiras, eles garantem: "A gente não acha nossa família bonitinha, enquanto outras família estão desmoronando. Por isso fazemos questão de partilhar", diz Maria do Carmo. "Nós temos que aceitar a diferença do outro. Nossa intensão é fazer ao outro aquilo que gostaríamos que fizessem por nós", conclui o professor Ricardo Marinho.

Serviço

Movimento Famílias Novas, dos Focolares
Tel.: (081) 241.3898/427.9681/445.4930
Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente
(Sistema de adoção à distância): 427.4501


     

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