-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - --- - - -Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998

VISITA
Bill Clinton pede uma estreita parceria com o governo chinês

PEQUIM - O presidente norte-americano, Bill Clinton, disse ontem, ao chegar à China para uma visita oficial de nove dias, que buscará estreitar os laços com o governo de Pequim, apesar das críticas nos EUA. "Como duas grandes nações, temos uma especial responsabilidade com o futuro do mundo", disse ao ser recepcionado na cidade de Xian. As relações Leste-Oeste vão ser vitais para a paz e a estabilidade no século 21, afirmou Clinton.

"Aqui e nos Estados Unidos, há os que se perguntam se laços mais estreitos e uma amizade mais profunda entre a América e a China são bons", disse. "A resposta, claramente, é sim. Temos uma poderosa capacidade de ajudar-nos mutuamente a crescer. Podemos aprender muito um com outro", acrescentou.

Clinton e Hillary caminharam pelo centro de Xian acompanhados pelo prefeito e sua mulher e por uma longa fila de mulheres em trajes cerimoniais dourados. "Nós americanos admiramos suas conquistas, sua economia, sua visão e disposição ao trabalho, seus esforços contra a fome e a pobreza, seu trabalho conosco pela paz e estabilidade na Coréia e no Sul da Ásia", afirmou Clinton.

Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano exortou a China a dar maior liberdade à população, afirmando que "um compromisso para dar a todos os seres humanos a oportunidade de desenvolver seu pleno potencial é vital para o fortalecimento e o sucesso da nova China".

IMPERADOR - A cidade de Xian (centro), antiga capital imperial chinesa, fez ontem uma cerimônia de boas-vindas para o presidente Bill Clinton digna de um imperador, ao tempo que mobiliza um forte dispositivo de segurança para impedir qualquer ação por parte dos dissidentes.

Dois dissidentes chineses foram presos em suas casas 24 horas antes da chegada de Clinton, informou o Centro de Informação sobre Direitos Humanos e Movimento Democrático na China, com base em Hong Kong.

Clinton é o primeiro presidente dos Estados Unidos que visita a China depois do massacre da Praça da Paz Celestial em Pequim em 1989 e as autoridades chinesas não estão dispostas a permitir que ninguém perturbe este evento, que marcará a reabilitação do país no cenário internacional.

Ontem pela manhã, inúmeros trabalhadores faziam os últimos preparativos para a cerimônia de boas-vindas, um elaborado rito simbólico com trajes e danças tradicionais que, no passado, era reservado aos imperadores e altos dignitários que visitavam a cidade da muralha.

Antes do começo oficial da visita, durante uma escala do Boeing presidencial Air Force One nos arredores de Anchorage (Alasca), Clinton declarou: "a propósito dos direitos humanos devemos falar disso respeitosamente, porém diretamente com os chineses. É mais eficaz que tentar colocá-los contra as cordas".

 
 
 

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