-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

Tempo de pagar para ver

Ressabiado com a série de anúncios de programas feitos pela Caixa Econômica e que se revelam nulos, dirigentes do mercado imobiliário olham atravessado para o novo pacote de medidas que o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou terça-feira.

O número de R$ 6 bilhões ninguém leva a sério. Simplesmente não há projetos hoje disponíveis para absorver a verba. No máximo, poderia abocanhar R$ 2 bilhões. Mas isso se a CEF provar que tem capacidade de processar um volume de contratos e projetos, o que não fez até hoje.

Mas existem dois dados importantes no pacote. Primeiro, a queda da taxa de juros. Como o financiamento é longo (pelo menos 15 anos) qualquer ponto que se baixe quer dizer R$ 50,00, R$ 80,00 ou R$ 100,00 na prestação, o que faz uma enorme diferença.

Segundo, a queda na taxa de seguro. É que como o seguro era obrigatório ele virou um espécie de mina de ouro de um pequeno grupo de seguradoras que cobrava até 20% do preço da prestação. Com a livre concorrência ele pode cair para 5% que é o que se cobra no resto do mundo.

Mas o setor vai esperar para ver. A falta de confiança na capacidade de processar as linhas de crédito da CEF é tão grande que o setor não vai soltar fogos. Vai colocar os contratos e os pedidos. Se eles forem digeridos e a roda girar, tudo bem. De tanto estardalhaço da própria CEF os próprios empresários ficaram desconfiados. Agora é esperar para ver tudo isso que FHC anunciou na prática. E nada de impactante deve acontecer antes de outubro.

Guerra eleitoral

A aliança do PSB/PT/PDT vai pôr na mídia nacional da campanha eleitoral o caso Celpe. O PT já se prepara para descarregar baterias no BNDES e no ex-presidente da instituição e hoje ministro das Comunicações, Luís Carlos Mendonça de Barros. Ele teria sido responsável pelo financiamento de US$ 1 bilhão em plena crise da Ásia, ao custo de TJLP mais 8%, para que empresas pudessem fazer recompra de ações. O caso Celpe entrará como um caso em que o banco ao contrário discriminou o Estado.

Cearenses

Não se pode dizer que o Ceará não trabalha pensando no futuro. A construção do primeiro estágio do Metrofor só começa em agosto e deve durar 30 meses, mas segundo o diretor da empresa Hélio Girão, a empresa já antecipou, em um ano, a conclusão da segunda etapa prevista para o ano 2001 e finaliza o terceiro estágio. Tudo isso com dinheiro do Governo Federal e do Eximbank.

Leandro & Leonardo

Quem tiver real que aguarde mas, até agosto, três novos CDs da dupla Leandro & Leonardo chegarão ao mercado. O primeiro deles, coletânea com os maiores sucessos, chamado "Sonho por sonho", chega esta semana às lojas. Trata-se de um CD da Continental, gravadora com a qual a dupla vinha enfrentando uma briga jurídica. Dia 15 de julho é a vez de "O sonhador", já pela BMG. Em agosto, a Continental lança um CD infantil gravado no começo do ano.

Créditos

O Banco do Brasil iniciou, ontem, o programa de leilão de créditos duvidosos. A idéia é tentar receber pelo menos uma parte do que já está provisionado com prejuízo. O programa que começou por Brasília será ampliado para todos os estados até o final do ano. O comprador fica com o direito de cobrar do devedor diretamente.

Daqui até o final do ano os servidores do Estado não devem esperar receber seus salários no mês correspondente.

Os passageiros de primeira classe e os que têm cartões Diamante do programa de milhagem da Varig (Smiles) já podem descansar em hotéis próximos aos aeroportos de Guarulhos e Rio de Janeiro quando vierem de Paris, Nova York e Miami por conta da empresa.

Um grupo de 38 nordestinos viaja segunda-feira, para ver as partidas das finais da Copa do Mundo, com despesas pagas pela Coral que os escolheu dentro de uma promoção por aumento de vendas. Todos esperam ver o Brasil jogar pelo menos uma vez.

A rede de Laboratórios Cerpe, a maior do Norte e Nordeste, é a instituição homenageada da próxima reunião do Caxangá Ágape Clube, nesta quarta-feira, no Restaurante Spettus do Derby.

A concordata da Arapuã e da Grandelar fez com que a indústria ficasse ainda mais restritiva na hora de conceder crédito aos varejistas. Isso quer dizer que poucos vão ter todas as marcas.

Está cada vez mais difícil para o Governo do Estado encontrar uma forma de viabilizar recursos de que precisa depois do encerramento das negociações com o BNDES, mesmo dentro do sistema financeiro privado.

A operação de antecipação deve ficar suspensa ficando tudo para o leilão inicialmente marcado para novembro. Mas diante do atraso, o prazo tido como certo pode ser esticado, ficando para o próximo Governo.

E-mail:
castilho@jc.com.br

 
 

 

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