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JOELMIR
BETTING
Faltam
555 dias
Na correção
do bug do milênio, antes do
réveillon do ano 2000, daqui a
555 dias, exatamente, o custo de
cada linha retificada de programa
está subindo no compasso da
contagem regressiva para o caos
cibernético anunciado. Em 1995,
quando o mundo acordou para o
desafio da máquina que não
pensa, a correção de cada linha
de programa variava de US$ 0,70 a
US$ 1,10. Em julho do ano
passado, já oscilava entre US$
1,30 e US$ 2,25. Nesta altura do
calendário, o tranco já passa
de US$ 3,20. Ano que vem, perto
de US$ 5,00.
O cálculo é
do consultor Marcos Felix Monte
Rabstein, autor da cartilha Bug
do Milênio - O Que Fazer para
Combatê-lo. Cartilha encomendada
pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI) que começa a
ser distribuída, em todo o
País, pelas entidades estaduais
da indústria. Vale repetir: o
bug (falha ou erro em inglês) é
a leitura equivocada que os
computadores e equipamentos
"chipados" farão do
ano 2000 a partir de 1º de
janeiro, um sábado. Como o campo
de data reserva apenas dois
dígitos para o ano, os
computadores traduzirão o 00 do
ano 2000 pelo 00 do ano 1900.
E eis o caos. O
bug, também chamado de Y2K pelos
americanos, está instalado hoje
no ventre de 265 milhões de
computadores pessoais, 86 mil
computadores de grande porte e 21
bilhões de aparelhos
eletroeletrônicos com campo de
data - de relógios a submarinos,
de mísseis a marcapassos, de
sinais de trânsito a tráfego
aéreo, de cartões de crédito a
extratos bancários, de
aplicações financeiras a
carnês de previdência, de
equipamentos hospitalares a
usinas nucleares, de robôs
industriais a telefones
celulares... Tudo o que se move a
toque de digital economy.
Autoridade no
assunto, os peritos do Gartner
Group estimam que a extirpação
do bug deve custar, em todo o
mundo, algo parecido com US$ 350
bilhões, por baixo. Ou o dobro
disso, se a correção ficar para
a última hora. Outros
especialistas falam numa conta
apocalíptica de até US$ 1,5
trilhão. Ainda assim, como
adverte Daniel Burrus, corrigir o
bug sairá bem menos caro do que
remediar os estragos que o
dito-cujo promoverá em todo o
mundo. Pelo sim, pelo não, os
Estados Unidos deram de
dramatizar o problema nas
empresas e nos governos. Nada
menos de 730 mil pessoas estão
trabalhando na assepsia dos
programas contaminados pelo Y2K.
Pesquisa com
2.400 empresas em 17 países,
realizada pelo Gartner Group, dá
calafrios. As chances de que pelo
menos uma em cada três empresas
informatizadas, em todo o mundo,
não consiga livrar-se a tempo do
bug são de 70%. Como as
distraídas e as retardatárias
estão plugadas on-line com
fornecedores, distribuidores e
parceiros diversos, a fuzarca
digital sacudirá intranets de
todo o tipo e lugar. A operação
de extração do Y2K envolve
bilhões ou trilhões de linhas
de programa em todo o mundo. E o
tempo restante dissolve-se feito
sorvete no asfalto. O ano 2000
não pode ser adiado.
No
Brasil
Banco Central,
CVM, Serpro, Dataprev,
repartições federais e empresas
estatais prometem escapar do bug
até meados do ano que vem. Nos
governos estaduais, as ações
vão da ofensiva plena a uma
indiferença total.
Acordados
Bancos e bolsas
já resolveram quase dois terços
do bug. O setor financeiro é o
prato predileto do caos com data
marcada. Os custos da correção
ainda não foram divulgados. O
sistema espera livrar-se do Y2K
ainda este ano.
Na
indústria
Sondagem da
Fiesp junto a 420 indústrias
revela que 57% delas estão no
ralo de alcance do bug. Das
ameaçadas, 71% já iniciaram os
trabalhos de correção por conta
própria ou por contratação de
consultorias do ramo.
Da
cartilha
A cartilha da
CNI não esgota o assunto, mas
faz bom rastreamento das
soluções técnicas existentes.
E dimensiona os riscos da
acomodação ou da indiferença.
Com o detalhe: empresas relapsas
poderão ser processadas por
prejuízos a terceiros.
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