-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 26 de junho de 1998


SEU DINHEIRO
Regina Pitóscia

Novo recuo das Bolsas

O mercado financeiro, principalmente o de ações, não traduziu em números a boa receptividade à decisão do Banco Central que endossou as expectativas do mercado e trouxe a Taxa Básica do Banco Central (TBC), o piso de juros, de 21,75% ao ano para 21%. A Bolsa de São Paulo manteve a tendência de queda ao fechar o pregão com baixa de 3,33%, em pregão que movimentou R$ 496,733 milhões. Embora 6,91% superior ao da véspera, o volume de negócios é considerado baixo e insuficiente para colocar o mercado de ações em trajetória consistente de valorização.

Embora as condições domésticas, como a ascensão do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas eleitorais e o persistente declínio dos juros, estejam se tornando mais favoráveis, as Bolsas de Valores estão reagindo mais a fatores de inquietação procedentes do exterior. Ontem, mais uma vez, operadores atribuíram o fechamento negativo do mercado de ações às incertezas alimentadas pela continuidade de desvalorização do iene, a moeda japonesa, diante do dólar. A moeda recuou a 142 ienes por dólar, sem que os bancos centrais dos Estados Unidos ou do Japão interviessem.

A avaliação dos analistas é que a instabilidade nos mercados domésticos, sem definição de tendência, será mantida enquanto não clarear uma perspectiva de solução da crise nas economias asiáticas. O motivo é que o capital estrangeiro teme incertezas e, sem a participação dele nos pregões, não se espera uma valorização mais fortes das ações e expansão dos negócios.

As ações da Telebrás e Eletrobrás, duas das principais blue chips do mercado, tiveram fortes baixas. Eletrobrás PNB foi a segunda maior queda do Índice Bovespa (IBovespa), com desvalorização de 8,33%, cotada por R$ 34,10 o lote de mil ações, seguida pela ON, em terceiro, com baixa de 8,28%, para R$ 32,10. O mercado de renda fixa não alterou o nível de juros, porque as taxas de rentabilidade dos CDBs já se haviam ajustado à expectativa de corte do piso dos juros, indicado pela TBC, para próximo de 21% ao ano.

Ouro
Fechamento: R$ 11,10
Variação: baixa de 0,72%

O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou com baixa de 0,72%, cotado por R$ 11,10 o grama. O volume negociado foi de 94 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy de ouro (31,104 gramas) foi cotada por US$ 293,80 nos contratos para vencimento em junho.

Dólar
Fechamento: R$ 1,210
Variação: queda de 0,81%

As cotações no câmbio negro permaneceram em queda. Cotado por R$ 1,210 para a compra e R$ 1,225 para a venda, o dólar paralelo fechou com desvalorização de 0,81%. O dólar comercial valorizou-se 0,03%, ao encerrar os negócios valendo R$ 1,1554 na compra e R$ 1,1562 na venda.

Renda fixa
Taxa bruta ao ano: 20,50%
Ganho bruto/32 dias: 1,57%

O segmento de renda fixa reagiu com tranqüilidade à redução pelo Copom da TBC de 21,75% para 21% ao ano e da TBan de 29,75% para 28%, considerados, respectivamente, o piso e o teto das taxas de juros. Em dia de poucos negócios, os juros dos CDBs permaneceram estáveis ontem. A razão disso é que as instituições financeiras já se haviam antecipado às novas taxas e ajustados os juros que remuneram os investidores e títulos bancários. Pela taxa máxima, o papel prefixado de 32 dias emitido ontem remunerou os investidores com 20,50% ao ano, ou 1,57% bruto e 1,25% líquido no período. Nas agências, para aplicações com quantia de R$ 10 mil, os bancos pagaram em média 15,90% ao ano, ou 1,32% bruto e 1,06% líquido; para R$ 30 mil, 17,29% ao ano, ou 1,43% bruto e 1,14% líquido; para R$ 50 mil, 18,24% ao ano, ou 1,50% bruto e 1,20% líquido.

Tendências

Problemas externos (nova desvalorização do iene frente ao dólar e agravamento da crise econômica na Rússia) voltaram a mexer com os negócios domésticos, ontem. Tanto que a tendência de queda gradativa do juro, sinalizada pelo recuo da TBC para 21%, na quarta-feira, foi ignorada pelos investidores dos mercados futuros da BM&F.

 
 

 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes