SUCESSÃO IV
Briga
pelo Senado ameaça a unidade das
esquerdasBRASÍLIA -
Divergências entre o PDT, PSB e
o PT de Pernambuco, por causa da
formação da chapa que apoiará
a reeleição do governador
Miguel Arraes (PSB), poderá
abrir uma nova crise na aliança
dos partidos de esquerda formada
em nível nacional. O
ex-governador Leonel Brizola
(PDT), candidato a vice na chapa
presidencial de Lula (PT),
ameaça não comparecer, hoje, à
convenção nacional do PSB, em
Brasília, em protesto pelo seu
partido ter perdido a vaga de
candidato a senador na chapa de
Arraes para o PT pernambucano. O
PDT quer indicar o ex-prefeito de
Caruaru, José Queiroz, enquanto
os socialistas costuram a chapa
Arraes (governador), Fernando
Bezerra Coelho (PSB-vice) e
Humberto Costa (PT-Senado).
A convenção
nacional do PSB tem por objetivo
formalizar o apoio dos
socialistas à chapa
presidencial. Mas Brizola,
através de seu coordenador
Carlos Luppi, comunicou ao PDT
pernambucano que, em
solidariedade, não participaria
do evento. O ex-governador Leonel
Brizola telefonou para José
Queiroz a fim de solidarizar-se
com ele e chegou a ameaçar
romper a aliança com o PSB em
outros oito Estados, caso a vaga
de senador não saia para o seu
partido.
Na conversa com
o correligionário, o vice de
Lula teria afirmado que o PSB lhe
fez uma desfeita, já que, no Rio
de Janeiro, ele aceitou o nome do
ex-governador Saturnino Braga
(PSB) - seu desafeto político -
para ser o candidato a senador na
chapa de Anthony Garotinho.
O ex-prefeito
José Queiroz, que à noite
participou de nova reunião com
os dirigentes dos partidos da
Frente Popular de Pernambuco, no
Recife, não quis se pronunciar
sobre a crise. O deputado Wolney
Queiroz, filho do ex-prefeito,
admitiu que a situação no
Estado está complicada e que o
PDT pernambucano desistiu de
comparecer à convenção do PSB.
"Há um acordo para que
ninguém fale sobre os
desdobramentos desse problema com
a imprensa", afirmou o
deputado pedetista.