SUCESSÃO V
Crise
adia o anúncio da chapa estadualTal qual há quatro
anos, a formação da chapa da
Frente Popular vai nascer de um
parto a fórceps. A dois dias da
convenção que deverá homologar
a chapa a ser encabeçada pelo
governador Miguel Arraes (PSB)
como candidato à reeleição, a
Frente ainda vive um impasse em
torno do preenchimento da única
vaga ao Senado, disputada pelo
deputado federal Humberto Costa
(PT) e pelo ex-prefeito de
Caruaru, José Queiroz (PDT). O
impasse chegou a tal ponto que
pode até comprometer a aliança
PDT/PT/PSB em outros Estados do
País. Diante do impasse, a
reunião decisiva - até porque
não há mais tempo - foi marcada
para as 18h de hoje, na sede do
PSB.
Permanentemente
informado da situação em
Pernambuco, o presidente de honra
do PDT, Leonel Brizola (candidato
a vice-presidente da República
na chapa do petista Luiz Inácio
Lula da Silva), de Brasília,
teria avisado que não pretende
"engolir mais este
sapo". Ele teria se irritado
com a intenção do PSB de dar o
Senado ao PT, para capitalizar o
prestígio eleitoral de Humberto
Costa na Região Metropolitana do
Recife, exatamente onde Arraes
registra a maior desvantagem em
relação ao seu principal
adversário, Jarbas Vasconcelos
(PMDB), pré-candidato da União
por Pernambuco.
O recado de
Brizola chegou aos integrantes da
Frente Popular, no final da tarde
de ontem, pouco antes da reunião
do "conselho
político", formado por dois
representantes de cada um dos
oito partidos da Frente. A
reunião começou por volta das
18h, na presença de 13
representantes dos oito partidos
da Frente, e prolongou-se até
21h. Embora haja informação de
que a conversa transcorreu em
"clima calmo", nem o PT
nem o PDT abriu mão de sua
postulação. Daí o encontro
decisivo de hoje.