SUCESSÃO VI
Arraes
ataca corporativismo das estataisDa Sucursal
BRASÍLIA -
Em entrevista antes de eclodir a
nova crise das esquerdas, o
governador Miguel Arraes criticou
duramente, ontem, o
corporativismo existente nas
empresas estatais, "uma
cultura que facilita as
privatizações e nos retira os
argumentos para reagir contra
esse processo". Como
exemplo, o governador citou o
caso da Petrobrás, que mantém
alguns poços fechados no
Nordeste, sem permitir que a
população afetada pela seca nos
municípios tenha acesso aos
estoques d'água.
Em discurso no
diretório nacional do PSB,
Arraes disse que é contra a
venda das estatais de energia
elétrica, mas privatizará a
Companhia Energética de
Pernambuco - Celpe - para impedir
que a empresa seja engolida pela
concorrência da iniciativa
privada. "Com a abertura de
mercado e o descontrole sobre as
tarifas, a Celpe não conseguiria
sobreviver", afirmou.
PRÁTICA -
No debate em torno das sugestões
do PSB ao programa de Governo de
Lula, o governador disse que não
basta falar em socialismo. É
preciso, segundo ele, casar o
discurso com a prática
política, apresentando
soluções concretas para atender
as necessidades da população.
Nesse sentido, Arraes citou o
programa de eletrificação rural
que o Governo de Pernambuco vem
desenvolvendo em 100 mil
propriedades das periferias
urbanas, e que objetiva, antes da
venda da Celpe,
"proporcionar à população
condições de bem-estar que a
iniciativa privada não tem
interesse em atender".
Na opinião de
Arraes, o novo conceito mundial
de industrialização tende a
reduzir a oferta de empregos,
cabendo ao Estado propiciar o
acesso dos pobres aos recursos
técnicos. O governador cobrou
das esquerdas que, na próxima
campanha eleitoral, explorem os
prejuízos que as medidas do
Governo Federal têm causado à
população, e criticou os
projetos do Executivo que,
aprovados pelo Congresso
Nacional, "estão destruindo
a Federação".