- - - -- - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 25 de junho de 1998

ILHA DA CROA IV
Comerciantes reclamam da falta de incentivo ao turismo na região

Mesmo com todas as potencialidades turísticas, a Ilha da Crôa está vivendo dias difíceis. A população praticamente sobrevive do rendimento financeiro provocado pela estadia de visitantes no local. Mas, atualmente, os poucos turistas que conhecem a ilha ficam restritos à área do Hotel Captain Nikolas. Por isso, os comerciantes locais têm reclamações diversas.

Roberto Faustino, proprietário do bar do Beto, critica a postura dos órgãos oficiais, que, segundo ele, não investem em infra-estrutura para dinamizar o turismo da ilha. De acordo com ele, apenas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro o lugar é mais freqüentado. "E nem durante esse período todo, porque no Carnaval cada um vai para sua cidade", ressalta Faustino.

Ele conta que, em 1985, antes dele montar o seu bar na ponta da ilha, o turista só vinha até à praia de Sonho Verde que, apesar de pertencer ao litoral norte, fica bem distante da ilha. Quando o local, finalmente, passou a atrair visitantes, a maré levou a ponta da ilha, espantando muitos comerciantes e, conseqüentemente, visitantes. Agora que Faustino está trabalhando na parte mais primitiva do local, suas críticas aumentaram. "Alagoas não sabe fazer turismo. Quem não gosta de ficar num lugar deste? Mas, o acesso é péssimo", desabafa, referindo-se à praia do Carro Quebrado.

Reivindicação de uns, motivo de reclamação de outros. O comerciante Francisco Chaves, que possui uma casa na praia do Morro de Camaragibe, teme exatamente a melhoria do acesso. "Essa estrada que estão construindo aqui (do Projeto Costa Dourada) vai trazer muita gente. Eu tenho receio que aconteça um turismo predatório, que acabe com toda essa beleza selvagem", avalia Chaves.

Para Faustino, a questão é bem mais abrangente. "O Brasil precisa amadurecer para o turismo. Principalmente por ser um país pobre quando se fala em indústria", diz. Outro que não poupa críticas à falta de incentivo ao turismo local é o comerciante José Carlos, mais conhecido como Zeca. "Muitos turistas vinham para cá através de agências. Alguns ônibus chegavam com vinte, quarenta pessoas. Mas, essas empresas deixaram de investir aqui nessa ponta da ilha", revela. (D.N.)


     

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