ILHA DA CROA IV
Comerciantes
reclamam da falta de incentivo ao
turismo na regiãoMesmo com todas as
potencialidades turísticas, a
Ilha da Crôa está vivendo dias
difíceis. A população
praticamente sobrevive do
rendimento financeiro provocado
pela estadia de visitantes no
local. Mas, atualmente, os poucos
turistas que conhecem a ilha
ficam restritos à área do Hotel
Captain Nikolas. Por isso, os
comerciantes locais têm
reclamações diversas.
Roberto
Faustino, proprietário do bar do
Beto, critica a postura dos
órgãos oficiais, que, segundo
ele, não investem em
infra-estrutura para dinamizar o
turismo da ilha. De acordo com
ele, apenas nos meses de
dezembro, janeiro e fevereiro o
lugar é mais freqüentado.
"E nem durante esse período
todo, porque no Carnaval cada um
vai para sua cidade",
ressalta Faustino.
Ele conta que,
em 1985, antes dele montar o seu
bar na ponta da ilha, o turista
só vinha até à praia de Sonho
Verde que, apesar de pertencer ao
litoral norte, fica bem distante
da ilha. Quando o local,
finalmente, passou a atrair
visitantes, a maré levou a ponta
da ilha, espantando muitos
comerciantes e,
conseqüentemente, visitantes.
Agora que Faustino está
trabalhando na parte mais
primitiva do local, suas
críticas aumentaram.
"Alagoas não sabe fazer
turismo. Quem não gosta de ficar
num lugar deste? Mas, o acesso é
péssimo", desabafa,
referindo-se à praia do Carro
Quebrado.
Reivindicação
de uns, motivo de reclamação de
outros. O comerciante Francisco
Chaves, que possui uma casa na
praia do Morro de Camaragibe,
teme exatamente a melhoria do
acesso. "Essa estrada que
estão construindo aqui (do
Projeto Costa Dourada) vai trazer
muita gente. Eu tenho receio que
aconteça um turismo predatório,
que acabe com toda essa beleza
selvagem", avalia Chaves.
Para Faustino,
a questão é bem mais
abrangente. "O Brasil
precisa amadurecer para o
turismo. Principalmente por ser
um país pobre quando se fala em
indústria", diz. Outro que
não poupa críticas à falta de
incentivo ao turismo local é o
comerciante José Carlos, mais
conhecido como Zeca. "Muitos
turistas vinham para cá através
de agências. Alguns ônibus
chegavam com vinte, quarenta
pessoas. Mas, essas empresas
deixaram de investir aqui nessa
ponta da ilha", revela.
(D.N.)