- - - -- - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 25 de junho de 1998

NOVA FRIBURGO
Muita diversão cercada de verde

por CLÁUDIA VERSIANI
Especial para o JC

Nova Friburgo, a 150 quilômetros do Rio de Janeiro, é um dos maiores parques hoteleiros do estado e sede da famosa Queijaria-Escola. A cidade com seu clima ameno e bons restaurantes, é também conhecida como a capital da lingerie por ter centenas de lojas e confecções de moda íntima. Lá, se deu a primeira colonização no Brasil feita por trabalhadores livres, suíços de Freiburg. Mais tarde chegaram colonos alemães, e este fluxo migratório se intensificou mais ainda por ocasião da Segunda Guerra. Até hoje a brasileira Friburgo, que está comemorando agora 180 anos de fundação, guarda fortes resquícios de sua colonização.

Além dos queijos e da lingerie, uma das atrações de Nova Friburgo é passear no teleférico que, a R$ 5,00 por pessoa, leva o visitante até o alto de uma colina, de onde se tem uma bela vista da região. Não se pode deixar também de ir à Sader, loja de doces que oferece mais de mil itens, entre doces, biscoitos amanteigados, patês e pastas de trutas. Outro passeio indispensável é a Queijaria Escola, onde a visita dá direito a degustação dos queijos lá produzidos. Ao lado funciona uma chocolateria-escola, outra "perigosa" tentação.

"Bem pertinho desta cidade tão cheia de atrativos fica seu complemento perfeito em termos de natureza: é o distrito de Lumiar, o mais antigo de Nova Friburgo, e que teve como fundadores alguns suíços que lá chegaram em 1819. Situada a 600 metros de altitude e com cerca de 390 metros quadrados, a região conserva praticamente intactas as suas belezas naturais, que atraem cada vez mais visitantes.

Na década de 70, Lumiar e a vizinha São Pedro da Serra eram muito procuradas pelos hippies e mochileiros que andavam à procura de paz e amor. Esse espírito de nova era ainda se mantém. No posto de informação turística da cidade, além das informações necessárias, será oferecido ao visitante um manual sobre como ser ecologicamente correto, mantendo as belas cachoeiras e poços do lugar sempre limpos e bem tratados. A idéia fundamental é promover um turismo não predatório, incentivando um contato maior com a natureza, sem abrir mão do conforto.

Hoje a região oferece ao visitante todo tipo de hospedagem, desde o mais simples e econômico até o mais sofisticado. Os imigrantes europeus, nas décadas de 50 e 60, foram os que primeiro perceberam o potencial turístico da região, e logo construíram hotéis e pousadas. Nos últimos anos, muitos brasileiros cansados da vida agitada e do estresse das grandes cidades, também se mudaram para lá, e fizeram do turismo a sua atividade, o que aumentou sensivelmente a oferta de hotéis, pousadas, restaurantes e demais serviços.

NATUREZA - Em Lumiar e São Pedro da Serra a pedida é o turismo ecológico: montanhas, trilhas, florestas e cachoeiras - algumas quase selvagens - fazem parte do menu. Apesar do frio que sempre faz na região nessa época - e que à noite pode chegar a 15 graus ou até mesmo a zero - durante o dia o sol forte garante a brincadeira nas águas dos rios Macaé e Bonito, que banham o lugar.

Andar ou caminhar pelas trilhas é o passeio preferido, e isso é explorado pela Walk Bike, que organiza passeios de bicicleta pelas redondezas (tel: (024)523-4805). Durante o trajeto, os ciclitas são acompanhados por um veículo que leva equipamentos para consertos de emergência e, se for preciso, transporta quem se cansa de pedalar. Para os adeptos das caminhadas, o Trek-in Club (tel: (024)523-4805) é a indicação. Quem se cansar ou se machucar poderá ser carregado por um cavalo, que sempre acompanha o grupo.

Os menos aventureiros podem chegar às cachoeiras mais próximas de carro. O Poço Feio é uma delas: organizada como um clube, paga-se uma pequena taxa para entrar e desfrutar do restaurante com uma varanda debruçada sobre a água, onde se pode sentar em volta das mesinhas e degustar deliciosas trutas. De vez em quando, um mergulho, supervisionado pelo guarda-vidas. O Poço Feio, quando o rio enche, é bastante perigoso, e já houve alguns afogamentos. O lugar é extremamente agradável, com cerca de 600 metros de área, uma praia com 40 metros de extensão, uma quadra de vôlei e uma ducha.

No Poço Feio há também um grupo que organiza rafting, a descida do rio em bote inflável pelas corredeiras, um passeio de adrenalina e emoção (tel: (024)523-3043). É feito com toda a segurança, e os participantes vestem coletes salva-vidas e capacetes. Ao final da aventura, rio abaixo, um carro estará esperando para trazer as pessoas de volta ao ponto de partida.

ALGO MAIS - Há outras opções no chamado "circuito das águas" de Lumiar. Uma delas é o Poço da Pedra Riscada, a quatro quilômetros da cidade, na estrada para Casimiro de Abreu. A entrada fica à direita da estrada, em frente a um antigo cemitério, localizado do lado esquerdo.

O Encontro dos Rios é o ponto onde o rio Bonito desagua no Macaé, de uma altura de 15 metros, entre altos paredões rochosos. É lá que fica o Poço do Alemão, uma ampla piscina natural de 200 metros quadrados. O Encontro dos Rios fica distante cerca de seis quilometros da cidade, também na estrada que vai para Casimiro de Abreu, seguindo à direita numa bifurcação asfaltada em direção à Aldeia Velha, até a Ponte do Alemão.

Quem se dispuser a andar um pouco mais pode chegar até a cachoeira Toca da Onça, cinco quilômetros adiante. Já o Poço Belo fica na estrada de Lumiar para São Pedro, na direção de Boa Esperança. Outra opção é o Poço Mágico, na Pousada Caminho das Candeias. Depois de Boa Esperança de Cima fica o cânion chamado Indiana Jones, com diversas corredeiras.

Quem prefere ficar longe de tanta aventura, uma das idéias da Sociedade Comercial de Lumiar e São Pedro da Serra-Solus, é promover o turismo para a terceira idade. Este segmento, além de fazer passeios mais tranqüilos, poderá apreciar o artesanato da região ou visitar o horto de Marcos Paiva e Lúcia Sá, que cultivam bromélias a 14 quilômetros da cidade.

COZINHA - A região também é conhecida pela qualidade de seus restaurantes e da variedade de sua culinária. Passando pela cozinha suíça do Le Delice, em São Pedro da Serra, e do sotisficado Auberge Suisse, no distrito de Amparo, até os sushis do Sushi e Algo Mais, muita coisa interessante pode ser encontrada.

O Auberge Suisse é um pouco mais distante, mas vale a viagem. É um hotelzinho charmoso, onde tudo é feito pela proprietária, uma suiça que realmente entende da arte gastronômica. Já o Le Delice tem bons fondues e outros pratos típicos, além da simpatia e bom humor do garçon Peter Geaban, um alemão que chegou ao Brasil para passar férias, conheceu o lugar e não quis saber de voltar para a sua terra.

 
     

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