- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 28 de junho de 1998

NÚMEROS
Diabetes poderá virar epidemia no Ano 2000

por CLEIDE CAVALCANTE
AE

SÃO PAULO - O Dia Nacional do Diabetes é lembrado amanhã, mas sem grandes avanços efetivos e com um panorama pessimista. Até o ano 2000, a doença pode se tornar uma epidemia global. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Jorge Luiz Gross, hoje o número já assusta: cerca de 7,6% da população brasileira, entre 30 e 69 anos de idade, são vítimas da doença. "Isso representa 5 milhões de pessoas", salienta.

O que se tem de mais recente, indica Gross, são pesquisas desenvolvidas por grupos de cientistas dos Estados Unidos e Europa envolvendo o enxerto e transplante de células defeituosas do pâncreas, responsáveis pela produção da insulina. "O transplante de ilhotas, como é conhecida a técnica, já é uma realidade. Porém, ainda não atingiu resultado satisfatório para ser empregado como rotina em todo o mundo. Ainda vai levar um tempo para que isto aconteça", explica.

A última novidade anunciada pela medicina para o tratamento do diabetes é o inalador de insulina.

O diabetes mellitus, nome científico da doença, observa o médico, engloba, pelo menos, duas doenças distintas. O diabetes dos tipos 1 e 2, sendo que ambos se caracterizam pelo aumento da glicose no sangue, ou seja, a taxa de açúcar. A primeira é comum em crianças e jovens, e a segunda, em pessoas entre os 30 e 40 anos. "O tipo 1 do diabetes é mais detectado por volta dos cinco anos de idade, é o que chamamos de pico do aparecimento, que vai até os 13 anos.

Com o tipo 2, isso acontece em torno dos 63 anos de idade e, então, começa a cair", observa. Assim como a idade, as causas das doenças diferem. E é muito raro o caso de bebês nascerem diabéticos, cerca de 90% dos casos correspondem ao diabetes do tipo 2.

ORIGEM - O diabetes é decorrente da falta de produção de insulina pelo pâncreas, substância que ajuda a queimar a glicose do corpo. "A glicose é proveniente da alimentação, ela é o combustível que o organismo precisa para funcionar", destaca Gross. A glicose, completa, entra no organismo junto com a insulina.

"Sem a insulina, a glicose começa a subir no sangue, saindo pela urina, como se o organismo desidratasse, provocando também o emagrecimento." O que justifica o fato dos diabéticos beberem muita água.

Este processo, frisa o médico, é um desequilíbrio, a partir de uma pré-disposição genética, que faz com que o organismo rejeite o próprio órgão. "Trata-se de uma reação auto-imune, um problema de reconhecimento errado, que provoca a destruição das células que fabricam a insulina", confirma.

"No diabetes do tipo 2, o componente genético é bem mais acentuado. "As vítimas não têm a produção de insulina completamente parada, só é menor do que a quantidade ideal. Este tipo de diabetes pode nunca se manifestar, ou isso só acontece quando o indivíduo começa a engordar, com a idade mais avançada. "Entretanto, para desenvolver o diabetes o importante é ter predisposição genética".

Na medida em que peso aumenta, o pâncreas começa a trabalhar mais para sustentar os quilos excedentes. Mas de que forma o diabetes está relacionado com a gordura? Conforme Gross, ainda não se sabe exatamente definir isso. No entanto, alguns estudos, comenta o médico, associaram a substância leptina, que controla a saciedade, com a obesidade.

"A leptina age no hipotálamo, uma região do cérebro, mandando a mensagem de saciedade. Aparentemente, no diabético esse trabalho da leptina é falho", verifica. O mesmo suspeita-se de pessoas obesas, não diabéticas.

Os tratamentos, para os dois casos, consistem basicamente na reposição do hormônio que está faltando, através da insulina injetável. "Hoje existem vários tipos de combinações de tratamentos possibilitando o controle da doença", diz. O inalador aparece como uma nova alternativa, colocada no mercado pelo laboratório Pfizer, o mesmo do Viagra.

"O inalador pode entrar com doses de duas ou três unidades, antes das refeições. Indicado para o controle do diabetes infantil", indica. Mas, o inalador não vai substituir, por enquanto, as doses injetáveis de insulina. "Mas o inalador ainda não está sendo usado em escala comercial. Vai chegar em breve."

Site da Sociedade Brasileira de Diabetes:

http://www.diabetes.org.br/informa.htm




   

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