- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 28 de agosto de 1998

PARTIDOS II
Partido é uma das ramificações da Arena

BRASÍLIA - Antes de chamar-se Partido Progressista Brasileiro, o PPB já atendeu pelas siglas PPR, PDS e Arena. Arena e PDS, recordando aos leitores, foram os partidos de sustentação ao regime militar que governou o País entre 1964 e 1985.

A Arena foi criada junto com o MDB, quando o regime decidiu extinguir as legendas então existentes e instituiu o bipartidarismo no País. Os políticos leais aos militares agruparam-se na Aliança Renovadora Nacional; os oposicionistas, no Movimento Democrático Brasileiro. No início, nem uma nem outra legenda era efetivamente situação ou oposição. O MDB capengava porque os principais líderes da resistência haviam sido cassados e/ou exilados do País durante o regime. A Arena não mandava de fato, limitando-se apenas a ratificar as decisões dos generais.

Esse quadro começou a mudar a partir das eleições de 1974, quando uma onda oposicionista varreu o País e o MDB teve sua primeira vitória eleitoral expressiva sobre a Arena, na disputa pelas cadeiras do Senado.

Em 77, os militares ainda tentaram recuperar o prejuízo criando os chamados senadores biônicos, eleitos por via indireta, mas voltariam a amargar resultados negativos na eleição do ano seguinte. Pouco a pouco, a Arena estava deixando de ser o "maior partido do Ocidente" como a classificara seu então presidente, o hoje senador Francelino Pereira (MG).

PLURIPARTIDARISMO - Então, a solução encontrada pelos estrategistas do Governo foi a extinção da Arena e MDB e o retorno ao pluripartidarismo no País. A manobra tinha dois objetivos: eliminar o estigma que pesava sobre a Arena, por ser o partido dos militares, trocando sua sigla para PDS; e fragmentar o MDB em vários partidos, criados a partir da volta dos exilados políticos.

Mas havia uma pedra no meio do caminho. Até então unido no apoio aos militares, o já PDS rachou em 1984, na convenção que indicou Paulo Maluf como candidato do partido à eleição indireta para a Presidência da República. Insatisfeitos com a escolha, líderes até então proeminentes da legenda, entre os quais o atual vice-presidente Marco Maciel, o ex-presidente José Sarney e o senador Jorge Bornhausen, reuniram-se numa dissidência autodenominada Frente Liberal, que tornou-se o PFL. Foi essa divisão que permitiu a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

Com o fim do regime dos generais, o PDS encolheu. A maior parte de seus dissidentes partiu para a criação do PFL; outros distribuíram-se entre diversas legendas. Em 1994, os que permaneceram no partido - cada vez mais identificado com a figura de Paulo Maluf - uniram-se ao PDC e fundaram o PPR. Dois anos depois foi incorporado o Partido Popular (PP) (que, por sua vez, vinha de uma fusão entre o PTR e o PST) e se transformaria na atual PPB.


     

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