..............................................-Jornal do Commercio - Recife, 29 de novembro de 1998

EXIBICIONISMO
Homens resistem em procurar ajuda médica

Os casos de exibicionismo patológico mais comuns ocorrem em pleno trânsito de São Paulo. Oswaldo Rodrigues Jr. revela que a maioria de seus pacientes exibicionistas graves costuma parar o carro para pedir uma informação a uma mulher na calçada e, quando ela tenta responder, ele lhe mostra os órgãos genitais. Estes homens só conseguem obter prazer sexual desta maneira e, quando o exibicionismo começa a ficar perigoso, se angustiam e muitos batem à porta do Instituto Paulista de Sexualidade para tentar mudar de comportamento.

"Por exemplo: um executivo de uma grande empresa que mostra os genitais para funcionárias e sente o emprego ameaçado por este comportamento. Ele quer mudar, mas não consegue. Há também o caso patológico que se integra na sociedade: o sujeito que só consegue prazer se exibindo e trabalha num clube de strip-tease. Ele conciliou a patologia com a vida social".

Já o professor Alexandre Saadeh, que trabalha no Projeto de Assistência a Transtornos Sexuais (Pro-sex), da USP, comenta que as pessoas com comportamento patológico sofrem brutalmente por não serem aceitas e avisa aos que querem se tratar: o Pro-sex, no Hospital das Clínicas da USP, dá assistência gratuita. "Em alguns países, eles se associam em grupos, tentando se legalizar como minorias, a exemplo dos homossexuais, considerados doentes durante décadas".

Para o diretor do Instituto de Psicoterapia Comportamental do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Goulart Ribeiro, o exibicionismo patológico é um desvio sexual. "No caso do masculino, o homem se sente excitado ao mostrar o pênis. É comum que ele fique perto de escolas, na praia, em locais de movimento. Nunca tratei de mulher exibicionista. O corpo da mulher sempre foi usado para vender produtos, apesar de ela ser reprimida sexualmente. Os casos que aparecem nos consultórios são de homens, que só procuram tratamento em situação de risco", disse.

OPINIÕES - Para algumas pessoas, porém, a maior incidência de exibicionismo masculino não surpreende. "O homem é mais exibido, sim. Gosta de contar vantagem e assim alimenta o ego, a masculinidade. Se desempenhará bem suas funções na hora H, isto ficará entre quatro paredes, mas numa roda de amigos ele sempre conta vantagem", comenta o bailarino Carlinhos de Jesus.

Já a socialite Vera Bocayuva diz que o homem não se exibe mais por inibição social. "O homem é muito mais vaidoso que a mulher. E, a cada dia, vem se cuidando mais. Só em matérias de roupas ele fica, por convenção, em desvantagem em relação às mulheres".

O deputado federal Fernando Gabeira lembra que é preciso definir o que é exibicionismo para avaliar quem se exibe mais. "Vivemos numa sociedade em que o falo (pênis) é valorizado socialmente e isso, muitas vezes, pode até induzir ao exibicionismo", diz.

As pesquisas constatam que o homem sente mais prazer em exibir o corpo, mas são as mulheres, no entanto, que buscam cursos de strip-tease para intensificar relações sexuais. A escritora e professora Eliana Maria, por exemplo, cobra R$ 150,00 por uma aula de três horas de duração para transformar mulheres inibidas em irresistíveis strippers. "Elas me agradecem para o resto da vida. Ficam mais criativas para obter prazer".

Ela dirige o Instituto Sensualité, em São Paulo, e arregimenta alunas no Clube de Mulheres, casa de shows paulista que exibe às terças e quintas-feiras strippers masculinos só para mulheres, a R$ 10,00 cada ingresso.


     

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