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ENTREVISTA / Edson Bandeira de Melo
Concerto mostra a Nova Escola Pianística na UFPE

Na seqüência de concertos em lembrança dos 150 anos da morte do compositor Frederic Chopin, acontece hoje, no Teatro do Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco, a apresentação dos músicos Edson Bandeira de Melo, Andréia da Costa Carvalho e André Felipe Menezes. Cada um deles partence a uma geração diferente de pianistas e vão apresentar no mesmo palco interpretações diferentes da obra de Chopin. Além da obra do compositor polonês, o programa de hoje à noite também apresenta aos recifenses o estilo da Nova Escola Pianística, difundida pelo próprio Edson Bandeira de Melo, professor aposentado do Departamento de Música da UFPE.

JORNAL DO COMMERCIO - No programa do UFPE In Concert, encontra-se a expressão Nova Escola Pianística. O que vem a ser uma escola pianística?

EDSON BANDEIRA DE MELO - Uma Escola Pianística é um conjunto de conceitos teóricos e de normas práticas e metodológicas. Resumidamente, seu objetivo é definir o que se deve ou não fazer para tornar-se um pianista.

JC - E o que traz de diferente a Nova Escola Pianística?

EBM - Sempre existiram grandes pianistas. Mas o número de pessoas que se dedica ao estudo do piano é desproporcional ao reduzidíssimo número dos que se tornam grandes intérpretes. Essa desproporção estimulou nossas pesquisas e as descobertas que fizemos amplia a possibilidade de formação de bons pianistas. Por exemplo, no concerto de hoje, apresentam-se três pianistas. O mais jovem é o juiz de direito André Felipe Menezes. O desempenho do jovem músico é tão bom que o deixa perfeitamente à vontade entre os demais.

JC - Em linhas gerais, o que essas pesquisas demonstram?

EBM - Um dia, abri um livro e pedi que um jovem pianista - muito afeito ao estudo tradicional do solfejo e ao mecânico e enfadonho estudo de escalas e arpejos - que lesse uma página. Quando terminou, pedi que resumisse o conteúdo da página. Ele não tinha a menor idéia do significado. Eu, como ouvinte, também não. Então ele compreendeu que os sons isolados, como são estudados nas escolas tradicionais, são como letras isoladas: não têm o significado que adquirem quando seus conjuntos são percebidos de modo coerente.

JC - Mas esses "estudos enfadonhos" não são necessários na formação do pianista?

EBM - São uma tortura. Para alunos, familiares, vizinhos e para o professor. São desmotivadoras e obrigam os alunos a desligarem a atenção do que estão ouvindo, formando pianistas que "não ouvem" o que fazem. Raiff, citado pelo pesquisador Kochevitsky em 1967 demonstra, cientificamente, que a agilidade dos dedos de qualquer pessoa normal é superior à agilidade necessária para que qualquer pianista toque as mais complicadas obras para piano. Portanto, não são essas coisas que são importantes. Aliás, elas mais deformam do que formam.

JC - Foram os estudos em Paris e Viena que o levaram à essas conclusões?

EBM - Em parte sim. Existem os pianistas que tocam por intuição, mas não têm conhecimento do "como fazer". Consultando as anotações de Mozart, de Chopin, de Liszt e de seus alunos vê-se que eles não sabiam ensinar o que faziam. Na realidade, eles sabiam fazer, mas não "como fazer". Quando tentei conhecer os "comos" e os "porquês", percebi que, com freqüência, não havia respostas. Eu não aceitava isso, pois, na minha opinião, qualquer ser humano normal poderia ser um músico competente.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.06.99
Terça-feira