LG_jc.gif (3670 bytes)

DE PORTUGAL
Daniela explode e gringos implodem na parada lusitana

por DUDA GUENNES

LISBOA - O mercado português, de apenas 10 milhões de habitantes, é pequeno mas é muito enfezado. Dos dez CDs mais vendidos nos últimos anos, há três artistas brasileiros, um italiano e seis portugueses. Nenhum anglo-saxão, o que deve ser absolutamente inusitado no mundo inteiro. O álbum da baiana Daniela Mercury, Feijão com Arroz, é o disco mais vendido de sempre em Portugal, de acordo com um estudo da Agência Lusa, baseado em dados oficiais da Associação Fonográfica Portuguesa.

Editado em 1996, Feijão dom Arroz vendeu 247 mil cópias. É a primeira vez que um top deste gênero é feito e tem por base os dados existentes desde há dez anos, data dos primeiros registros oficiais da indústria discográfica lusitana.

O segundo disco é a coleção de êxitos dos Delfins, O Caminho da Felicidade, de 1995, que já vendeu mais de 240 mil unidades. Na terceira posição aparece outro artista português, Paulo Gonzo, também com uma coletânea de êxitos, Quase Tudo, de 1997, com mais de 225 exemplares.

Paulo Gonzo já está na estrada há muitos anos, quando cantava em inglês não vendia quase nada mas quando passou a gravar em português disparou. Isto deve significar alguma coisa...

Em quarto lugar está um "fenômeno" brasileiro, Iran Costa, com Album Dance, também de 1995, com 220 cópias. Iran Costa é maranhense, radialista em Belém do Pará, que veio tentar a praça portuguesa, e deu certo. Uma das faixas, O Bicho, estourou nas paradas de sucesso, alçando-o aos píncaros da glória.

O quinto lugar pertence ao cantor cego italiano Andrea Bocelli que já vendeu perto de 210 mil discos do álbum Romanza, editado em 1996.

No sexto posto, um repeteco, Saber A Mar, dos Delfins, segundo nesta lassificação da banda liderada por Miguel Ângelo, que são assim o grupo português que mais discos vende até agora. Datado de 1997, o álbum já foi consumido por mais de 201 compradores. O sétimo lugar é preenchido por uma banda de Leiria que canta em inglês, Silence 4, com o disco Silence Becomes It, lançado no ano passado e já adquirido por mais de 200 pessoas. No oitavo posto vem Tempo de Pedro Abrunhosa, que já emplacou 185 mil desde que foi gravado em 1996; o nono é dos Excessos, com quase 165 exemplares de Eu Sou Aquele, de 1977, e, finalmente, o décimo lugar é do brasileiro Netinho Ao Vivo, de 1997, com cerca de 160 mil unidades.

As gravadoras lamentam não terem dados que revelem o universo dos discos LPs em vinil, quando a indústria não estava ainda organizada.

"Há de certeza discos de Marco Paulo, Amália Rodrigues ou Roberto Carlos que também venderam muito em Portugal", garantem os editores da Associação Fonográfica Portuguesa, a mais importante do País com a adesão de todas as multinacionais.



Jornal do Commercio
Recife - 02.02.99