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MÚSICA Giba está de volta a sua terra e pretende lançar CD por SCHNEIDER CARPEGGIANI Gravatá é, sem dúvida alguma, uma das cidades mais pitorescas do interior pernambucano. Seu clima é famoso por se situar alguns graus abaixo da sauna de pedra que é o resto do estado - e dizem que esse clima traz até algumas utilidades terapêuticas. Para acompanhar a diferença climática, a cidade é munida, ainda, de uma culinária e uma arquitetura que têm um certo toque europeu. Além da influência do velho mundo, o município é atualmente reconhecido por ser um dos grandes pólos do "forró eletrônico" no estado. Porém, resumir a cidade nesse gênero musical é muito pouco. Em Gravatá existe ainda uma cena cultural que engloba artistas de várias tendências e correntes culturais diversas. Entre eles, um certo Gilberto Alves da Silva, também conhecido, internacionalmente, como Giba. Nascido em Gravatá, Giba traz em sua biografia o enredo inerente a todos os artistas que decidiram se rebelar contra o marasmo cultural de sua cidade e decidiram partir para ganhar o mundo. Quando criança os pais queriam fazê-lo doutor, mas desde esse tempo a sua principal preocupação sempre foi a música. Giba começou a sua carreira tocando acordeom em festinhas de colégio, quadrilhas e shows, ao lado de artistas que sonhavam em ser um dos idólos de uma época marcada pelos estouros de Roberto Carlos e Beatles. Durante esse período, Giba participou de um conjunto de rock chamado Os Incomparáveis, uma xerox de Os Incríveis. O grupo chegou a se apresentar em uma série de festinhas locais, mas logo acabou se dissolvendo. Foi então que o pernambucano decidiu tentar carreira no Rio de Janeiro. "Foi um período difícil, no qual eu sofri toda uma série de preconceitos que, geralmente, os nordestinos sofrem no Sudeste do país. Foi um tempo de comer o pão como ele aparecer e se aparecer. Trabalhei em boates de cais do porto e em muitas churrascarias", comenta Giba sobre o começo da carreira no Rio de Janeiro. Passada as dificuldades iniciais, Giba, no finalzinho da década de 70, começou a tocar para grandes estrelas da MPB como Elis Regina, Caubi Peixoto, Ângela Maria. "Depois de cinco anos trabalhando no eixo Rio/São Paulo, embarquei na minha carreira internacional com o grupo folclórico Mulato Brasil Show. Percorremos 11 países da Ásia e Europa, no começo dos anos 80, sempre tocando música brasileira em ritmo sofisticado", comenta. Além de Ásia e Europa, o grupo se apresentou em várias cidades americanas como Los Angeles e São Francisco e em Chicago, onde a banda acabou. "Com o fim do grupo, voltei à Europa, mais precisamente em Viena, onde decidi estudar música na Faculdade de Música da Áustria. Na Áustria, eu me casei e formei um grupo chamado Sunshine Brasil, que já acabou. Mesmo morando todo esse tempo fora, nunca desisti do meu sonho de fazer uma carreira aqui mesmo no Nordeste", completa. MUITOS PROJETOS NA CABEÇA - Faz um mês que Giba está de volta a Pernambuco. Essa sua volta à terra natal - que ele visita com uma certa regularidade - faz parte de um desejo seu de estabelecer sua carreira artística também no país, mais precisamente no Nordeste. "Eu poderia muito bem tentar recomeçar minha carreira no Brasil pelo eixo Rio/São Paulo, onde tenho uma série de contatos. Mas o que eu quero mesmo é começar por aqui pelo Nordeste, região em que estão as minhas raízes". Giba está procurando uma gravadora para lançar o seu CD Maracatuada: "O CD já está todo pronto. Se não arrumar uma gravadora vou tentar lançar independente mesmo. Nesse disco trabalho com ritmos como maracatu, frevo, samba e faço uma mistura inédita de techno e frevo na faixa Tecnoball", revela. Essa faixa Tecnoball, foi feita com intenção de fazer parte da seleção de músicas oficiais para a última Copa do Mundo. Além do Maracatuada, Giba ainda sonha em realizar um projeto de intercâmbio cultural entre artistas europeus e nordestinos: "O meu projeto é de levar alguns artistas daqui para se apresentarem na Europa e trazer uns de lá para cá. Temos de promover a cultura entre os vários países e melhorar a qualidade da música que toca nas rádios. Não podemos deixar a música continuar da maneira que está", e completa, "Sou um inconformado assumido". |
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